
Pelas ruas da Praia Grande, acompanhado pelo seu habitual chapéu e sua sandália de couro, vejo caminhar, sereno e simpático, um dos maiores compositores desta maltratada São Luís – a mesma Ilha que parecia ter se redimido quando, após décadas de oligarquia, este nosso artista entoou, do alto do Palácio dos Leões, os seus mais conhecidos versos: “com as bandeiras nas ruas, ninguém pode nos calar’’.
Lá se vão dez anos desde a posse de Flávio Dino ao som de Oração Latina, hino da resistência maranhense, composição de Cesar Teixeira, aniversariante do dia. O presente apático contrasta com o que vivemos naquela tarde em que comemoramos a vitória do atual ministro do STF. Sob um lindo pôr do sol, bandeiras de partidos de esquerda tremulavam e a canção de Cesar parecia demarcar um novo tempo – que não veio. Uma década depois, é possível afirmar que trocamos os bigodes por tucanos. Esperávamos mais dos governos Dino e definitivamente não esperávamos estar sob a condução do atual chefe do executivo maranhense.
O que as conjunturas políticas não conseguem definir — e muito menos superar — é a grandeza de artistas como Cesar Teixeira, que há tanto nos emociona e, por sua vasta e consagrada obra, seguirá nos emocionando.
Este Cesar que passeia pela Praia Grande, o mesmo autor de Oração Latina, Lápis de Cor, Das Cinzas à Paixão, Flor do Mal, Boi da Lua e Shopping Brazil, é eterno.
Eles — os tucanos, os bigodes, os engravatados — passarão.
Cesar, passarinho.





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