
Por Leonardo Alves
Ao andar por São Luís, não é difícil constatar a presença de certas figuras emblemáticas em nosso imaginário. Incluem-se, neste grupo, pessoas que convivem com a dinâmica urbana; com os signos das tradições ancestrais que embasam nossa identidade cultural e, de modo mais literal, com as artíficies da geometria que integra a cidade.
Tão única quanto essas manifestações possam ser é a capacidade de enxergar e expressar as intereseções que as conectam, uma habilidade que certamente pode ser atribuída a um nome que se impõe na contemporaneidade artística ludovicense: Origes.
Com 15 dos 30 anos de vida dedicados à arte, e mais tantos atravessado por ela, Origes se consolidou nos muros, camisetas, esculturas e até nas peles que compõem São Luís e o Maranhão. Apesar de discreto, sua presença é notável onde quer que você observe o colorido das formas e personagens por ele retratados. Como ele próprio afirma, “deixa que a arte fale por si”.
Diante disso, a Sociedade do Copo conversou com Origes sobre sua arte, claro, mas também sobre o jovem da Alemanha e tudo aquilo que o influenciou, desde a família, música e outras paixões ainda não tão conhecidas pelo público.
Leia abaixo:
Leonardo Alves
Nós sempre gostamos de falar sobre música com os entrevistados. Eu gostaria de começar falando sobre isso contigo: qual é o tipo de música que você escuta durante um trabalho criativo?
Origes
A música fez eu pensar mais, refletir mais sobre as coisas e colocar um pouco do que eu estou ouvindo dentro da minha criação visual. Tem muita inspiração do rap, no geral, e de gêneros relacionados, como o trap, o grime, reggae, o dub. A cultura sound system, no geral. Essas são as principais influências, mas eu ouço de tudo, entendeu? Música brasileira, maranhense…tudo isso contribui com a minha criação.
Leonardo Alves
A tua família tem pelo menos dois artistas: você e o Gugs, que é músico. Eu gostaria de perguntar como foi a participação da tua família no desenvolvimento da tua veia artística.
Origes
Acho que o mais próximo que eu cheguei da música foi o contato com os meus avós da parte de pai. Eles eram da igreja e sempre estavam ligados à música. Meu avô também era um cara autodidata, criativo, produzia os instrumentos dele, criava, levava a gente e dizia “ah, bora fazer isso daqui’’, ‘’bora fazer um cavaquinho’’. Além dele, tinha os meus tios, que tocavam; alguns cantavam. Eu também tenho uma prima que canta. Essa parte do meu pai tinha essa veia artística mais forte.
Leonardo Alves
Nós lemos um material de apresentação a seu respeito que fala muito sobre a sua infância e vivência no bairro da Alemanha. Como foi o contato com a comunidade artística do teu bairro e o teu desenvolvimento junto com a galera?
Origes
Começou com o movimento hip-hop: a galera escutava rap ali na calçada do vizinho. Juntava uma turma pra ouvir rap, tomar um vinho. A gente era gurizinho, mas já via aquele movimento acontecendo.
Naquele tempo, era muito mais repressivo. Era visto com desconfiança. “Ó, não cola com essa galera aí que não dá muito certo.” Mas a gente estava sempre envolvido: conversando, ouvindo rap, trocando ideia, pichando. Acho que esses foram os primeiros contatos que tivemos com a música.
Na rua, a gente ouvia muito as músicas daquela época, especialmente de 2000 a 2009. Absorvemos muita coisa: rap, rock. Trocávamos fitas, CDs com 100 músicas, passávamos de mão em mão. Até os celulares que gravavam música ajudavam. Gravávamos e compartilhávamos.
Crescemos nesse movimento. Era ver a galera cantando, fazendo freestyle, e a gente já queria fazer parte. Esse foi o nosso berço.
Tudo isso foi alimentando nosso inconsciente e contribuindo para o trabalho que fazemos hoje. Nossa história tem um pouco de cada época: desde a influência dos nossos pais até o aprendizado na rua. Foi assim que começamos a viver e visualizar a cultura hip-hop.
Leonardo Alves
Como foi o início do Origes nas artes?
Origes
Foi desenhando. Já desenhava desde pequeno. Meus avós também incentivavam, e a gente riscava muito. Fui crescendo ali, desenhando, na escola também. Sempre fui uma pessoa que gostava de desenhar.
Na rua, tive meus primeiros contatos com a pichação. Tu riscava, colocava teu nome em cadernos. Víamos os vizinhos pichando e tentávamos imitar até acertar. Foi nesse processo que começamos a desenvolver identidade. Aí pensei: “Tenho que criar um nome pra mim também.” Passei por vários nomes, até encontrar algo que me identificasse no movimento.
Eu dizia: “Vou fazer o meu também” e treinava. Isso fez parte do meu lado artístico. Tu vai desenhando uma pichação, outra, e os rabiscos vão se transformando em desenhos. Aí alguém trazia um desenho da internet ou algo que via na TV, como na MTV. Eu pensava: “Ah, eu vi isso aqui em tal clipe” e desenhava personagens como os de Dragon Ball Z. Tudo isso influenciou muito o meu olhar para a arte. Me fez querer desenvolver mais.
Continuei desenhando. Na escola, nas ruas, observava as pichações, via o que os desenhistas faziam, conhecia o hip-hop através dos clipes. Foi quando comecei a perceber o grafite na cidade. Minha mãe me levava de ônibus do bairro Alemanha até o Centro, e eu via muitos grafites no caminho. Tentava reproduzir em casa, pesquisava mais, e o interesse foi crescendo.
Tinha um lugar específico que chamava muita atenção. Passávamos de ônibus, e eu pensava: “Eita, que bonito.” Chegava em casa e tentava reproduzir. Foi assim que comecei a me interessar pelo grafite, vendo os artistas locais. Alguns desses artistas hoje são nossos amigos. Gostávamos tanto daquilo que fomos atrás. Eu pensava: “Um dia vou estar pintando com eles.”
Minha primeira iniciativa de grafite foi treinar no caderno. Fazia os primeiros desenhos no quintal de casa, com martelo e tinta improvisada. Meu primeiro grafite foi em 2009, perto de uma escola no Bairro de Fátima.
É uma escola de estado da alma. Mas não é que eu lembrei que eu vou te falar “beleza!” Mas foi isso. A gente foi lá, fez o primeiro grafite. E… Aí dá aquela adrenalina. Tu não sabe como é que é o movimento.
E aí começou. Ali foi em 2009. Foi o primeiro grafite que eu fiz, então eu conto que eu comecei dali.
Aí tá até hoje, 15 anos, já. Tem essa linha do tempo. Aí a partir disso, fui fazendo mais, um ou outro no meu bairro; o segundo; o terceiro. Acho que nessa fase do terceiro para o quinto, pintando lá no bairro mesmo, na Alemanha, fazendo os primeiros grafites.
Tava arriscando lá no meu bairro também, só que numa parte mais em cima, onde era o [antigo supermercado] Lusitana. O prédio estava abandonado. Tinha o WBS fazendo [artista de rua de São Luís] e o Alol. Ambos da região Itaqui-bacanga, ali do Anjo da Guarda.
Eu já era fã, assim, por estar acompanhando o trampo deles na rua. Um vizinho disse: – ó, tem um pessoal pintando ali. Aí ele só falou isso, e eu disse: – é, vamos pilar [descobrir] quem é. E aí a gente saiu correndo para ir encontrar com eles. Encontramos. Ficou aquele momento assim, né… Tô aqui perto desses caras que já pintam há um tempão.
Eles são patrocinados, tem um monte de spray. E a gente só com o spray, não sabendo. Eles já tinham rolê, já tinham um trampo mais desenvolvido, já tinham uma trajetória no grafite, já estavam inseridos em movimentos sociais, fazendo grafite, ensinando também. Aquilo foi outra coisa que me instigou.
Eu falei “aqui é massa”. A gente continuou, e foi o primeiro contato com os grafiteiros na rua. A gente se encontrou na rua, se conheceu na rua, A amizade se formou ali. E foi seguindo.
Muita letra. Antigamente, eu riscava IGE. Era I-G-E, só. Aí, escala, escala. E eu comecei em 2009. Meu irmão, ele foi saindo para a rua já, novinho. Acho que tinha 14 anos, nem lembro, 15. Era por essa idade, assim. Eu tinha 15 anos. Aí ele já também já assistiu o Ego, só eu tô aqui dentro de casa, Ego tá saindo todo o tempo aí, escondido, vai arriscar, volta, faz as coisas.
Aí ele já assistiu eu fazendo também. No ano seguinte, assim, 2010, ele também já foi, aí nós dois já fazíamos. Eu fazia o Igi, né, Igi é. Ele fazia a Buggy. G, U, G. Ele não era nem burguês ainda. A gente ainda tava novo, tava amadurecendo até formá-los inteiramente.
É a palavra inteira, né? Aí, ixe burguês. E aí a gente já intrigava muito de ver na internet a cena, tipo, já saiu um pouco mais daqui da cena de São Luís. E já era muito na internet ver o que os gringos faziam, a galera de São Paulo fazia.
O grafite no Brasil inteiro, a gente consumia muito conteúdo de internet, ali no Youtube, na Lan House. Pagavamos uma hora para ver uns vídeos. Daí, parou na entrada do Hugo, quando ele veio junto comigo no grafite e aí a gente já se desenvolveu. Eu fazia o Izzy; ele e o Hugo. E a gente ia espalhar isso aqui do nosso bairro até o centro.
A gente já pegava uns garrafões [de spray] mais econômicos. Usávamos borrifadores. Aqueles, de planta. A gente via os conteúdos na internet e repassava, “ó, galera, usa isso aqui”.
A gente começou a riscar muito portão, assim, da Alemanha até o centro, Monte Castelo, aquela trajetória ali. Passava de ônibus e tinha assim, ó, ijigui, ijigui, ijigui.
A gente já fazia várias, assim. Comecei no movimento nessa parte. Em 2010, 2011, até 2015, por aí assim, o Gugs arriscava comigo.
Em 2015, a gente já estava fazendo muito isgigurri. Mudou o ano, bem no comecinho do ano, no primeiro grafite do ano, pensamos: – bora botar um S, né. A gente achava a marca bonita assim, a estética. Acho que botar um S vai ficar legal. A gente começou 2015 já sendo isgigurris, isgis e gurris.
E aí a gente começou a pintar. Só que aí já parou um pouquinho. Ele [meu irmão] já ficou mais ligado em música.. Ele sempre produziu os beats desde novo, também. Aí a gente ganhou um computador de um vizinho do vizinho do vizinho, que ficou pra gente.
O meu lado era mais para as artes plásticas. E o lado dele, para a música. E a gente foi. Em 2015, cada um foi seguindo mais o seu caminho individual dentro das artes. Ele foi pra música produzindo, produzindo já, fazendo as primeiras composições. Lançamos os primeiros trampos e eu fui fazendo o meu grafite.
Nessa fase, entre 2015 e 2016, eu fui começando a querer achar uma identidade. Eu já estava trilhando, além de fazer as letras, os grafite em letras índigos. Eu já desenhava algumas coisas para me sair das letras e achar uma identidade ali. Eu treinava, sei lá, fazer uns personagens gordinhos. Fazia muitos [personagens] geométricos. Esses [personagens] geométricos que tem aqui nos quadros já vinham dessa época. Ali em 2014, 2013. Eu já ensaiava os primeiros traços nessa pegada.
Em 2015 eu comecei a fazer tatuagem. Eu digo: – ah, vou começar a fazer tatuagem. Eu vi que isso era legal ; já tinha uma cena da tatuagem crescendo fora, mas aqui ainda não rolava, né? Rolavam as tatuagens tradicionais. Aquele rolê das tatuagens de bairro, ou tatuagens comerciais, dessas que se vê em shopping. Não tinha assim um blackwork chegando.
A galera de fora já começava a fazer, e eu disse: – é, eu vou fazer isso aqui, ó, que aqui não tem. E aí algo que eu tô nessa mesma pegada, e estou gostando. Fui fazendo umas paradas, e, na verdade, vou fazer umas paradas aqui que se identifiquem com a galera daqui,
Aí eu fui ensaiando coisas que relacionavam a nossa cultura. Em geral [entre as tatuagens] se faz infinito, dragão, letra. Eu fui fazer mais outras coisas aqui. E fui lançando. Fiz um monte de coisas; fiz Lamparina… E eu botei um cazumbá também, que é um personagem daqui. Fiz numa folhinha e pensei: – é isso aqui que tá legal. Fiz mais outros [desenhos para tatuagens] sobre o Maranhão assim. Foi isso aqui que parece bem feito.
Leonardo Alves
Sim, eu ia até te perguntar, porque a gente vê isso, né, nos seus trabalhos, o CazumbÁ e o Bumba Meu Boi, eles têm uma predominância muito grande; uma presença forte. São personagens da cultura popular.
Eu queria saber quais outros personagens assim, da cultura popular maranhense, tu pensa em retratar nas tuas artes? Por exemplo, os fofões, agora que tá chegando o carnaval. Alguma coisa nesse sentido?
Origes
Sim. O carnaval também já retratei. E eu gosto de falar de tudo. Tipo assim, tem o Bumba Meu Boi meu boi e o Cazumbá, que são os principais dentro do meu trabalho nessa fase.
Mas eu tento incluir isso, o lance do Cazumbá para todas as outras ideias que surgirem. Tipo, qualquer tema eu tento incluir eles. Quando eles não estão, ou eles não se encaixam em algum tema, mas a estética segue ainda.
A pessoa consegue identificar que é um trabalho meu, mesmo não contendo um Cazumbá ou algo da cultura. popular do meu corpo. É mais a estética.
Leonardo Alves
Da estética. Entendi.
Origes
E… Como eu estava falando, né? Ali na tatuagem, eu juntei o que eu já fazia, que é esse lance mais geométrico, ao fazer um flash de tatu. Vou fazer um flash de tatuagem aqui pra galera tatuar. Aí ali sai o primeiro personagem, assim, que…
Olha isso aqui, já. No caso, o que é isso?
Leonardo Alves
Só pra confirmar, no caso tu fazia o desenho ou tu também é tatuador?
Origes
Eu sou tatuador também. Aí eu comecei a tatuar nesse período, 2014, 2015. Aí em 2015 eu fiz os flashes. E aí o cara do bar ali, ele se apresentou, né, naquele formato ali de flash e tatuagem.
Aí fiz o primeiro, fiz o segundo, fiz vários. Comecei a tatuar, a galera gostou: – eu quero fazer um desses, diziam. Eu fazia outro, e outro, só que eu já tava fazendo vários e então eu continuei grafitando. Pensei: – olha como eu fazia a tatuagem só preta em cor de pele.
E a cor da pele da pessoa eu via que aquilo ali só era preto, tipo assim, preto e branco. Só preciso de duas cores para eu fazer em forma de grafite. E aí no grafite é algo massa, por ser rápido. Às vezes, tu não tem autorização do lugar. Apenas chega, faz e vai embora.
Eu pense, “aqui, se eu fizer preto e branco, vai ser algo que o pessoal vai ver que isso é o que eu estou fazendo”. Eu vou só repetir mais e espalhar na cidade de uma forma econômica.
Usando apenas um látex como o fundo, e o preto para preencher e fazer o desenho, o Cazumbá. Aí eu fiz muitos assim, a partir de 2015, 2016. 2016, eu acho. Foram os primeiros, no final de 2015.
Aí eu digo, “é, isso aqui é massa.” Achei a minha identidade, depois de anos. Toda essa trajetória minha, eu vi que tudo o que eu fazia, já tinha feito. Só foi uma junção daqui do público que eu aprendi.
Desde a infância até a adolescência, hip hop e tal, fui me envolvendo. Quando penso que não, formou isso aqui [minhas referências]. Nem pensei em precisar fazer outras coisas, tentar ver outros personagens, ou ficar inventando histórias. Eu já estava inserido naquilo de fazer Cazumbá, de fazer de todo jeito. E aí, em 2016 também, eu já queria mudar o nome.
E no meu Instagram, uma outra coisa que eu tinha era Igo, Iges, que é do meu nome, Igor.
Iges era o da pichação. O grafista que eu riscava. Aí, quando a pessoa falava o nome do Instagram assim, Igor Iges.
Leonardo Alves
Ah, assim, legal.
Origes
Aí, é tipo, Igor Iges, aí eu, Iges, Iges. Soava com o Iges, né? Igor Iges, Igor Iges. Aí eu digo, “é, eu vou juntar aqui”, aí juntei as palavras. Tirei o i e o g da frente.
Leonardo Alves
Aí, origem. Tirou
O i e o origem. Aí a origem vem dali, em 2016. Pra ver como tudo se formou naquele período, em 2016. Para me entender como um artista mesmo foi um processo mas… Daí pra frente foi mais natural. Foi só desenvolver o que eu já fazia.
Leonardo Alves
Sim, saquei. E nessa trajetória que tu fala, tu cita muito essa certa incerteza, né, que tinha, por exemplo, nessa situação de grafitar, de riscar, com essa preocupação com a visão que às vezes marginalizada que existe sobre esse tipo de arte.
Então, eu queria saber de ti se tu acha que, por exemplo, considerando o cenário atual onde a tua arte já participa de vários trabalhos, até com incentivos do poder público, se tu acha que tá rolando um movimento mais de abraço de arte tradicionalmente da periferia e por que tu acha que isso tem acontecido. A que aqui isso se deve?
Origes
Sim, eu acho que a periferia era o lugar que mais abraçava a arte, então ali já não era marginalizada, porque era algo que saía dali, entendeu? A gente estava presente e pertencente a esse lugar. E aí eu não sentia essa distância da galera de lá com o grafite, porque todo lugar tinha grafite.
Nas ruas, no beco, tinha pichação. A pichação era muito mais vista de forma marginalizada. O grafite a galera já ia fazer aqui na minha casa, faz ali, faz no meu pra mim também. E hoje a aceitação só é mais de um lugar fora da periferia.
Leonardo Alves
Só teve uma aceitação de outra
Origes
O grafite era aceito ali na periferia de onde ele veio, como uma forma do jovem de se manifestar politicamente, culturalmente, artisticamente, falar, ter uma voz, de alguma forma ser visto dentro da cidade.
Eu já seguia nesse ritmo de ser visto na cidade, botar meu nome, tanto que eu não gosto nem de aparecer; de fazer vídeo, nem nada. Só troco ideia, mas não gosto de tirar foto, não apareço, gosto de botar meu nome mesmo na rua e arriscar seguir o sentido do grafite da onde eu aprendi assim, como é que é feito, como foi feito.
Leonardo Alves
Mas é mais algo da sua personalidade, então?
Origes
Minha personalidade funciona melhor nesse formato, de não me identificar. Prefiro que a arte fale por si só, do que eu estar falando mais sobre uma coisa assim. Às vezes a explicação pra mim é uma coisa, pra outra pessoa é outra. Cada ponto de vista, né?
Leonardo Alves
Sim, legal. E considerando toda essa tua trajetória, de tu falar que já na periferia sempre houve essa aceitação mais forte, mais presente, e considerando que tuas artes, muitas delas são intervenções urbanas, a gente queria saber um pouco da tua visão sobre esse ambiente urbano de São Luís no sentido seguinte, como tu enxerga hoje um panorama da cidade e quais são os problemas que tu acha que são os mais fortes, os mais incômodos em São Luís pra ti?
Origes
Ah, acho que tem muito problema. Acho que educação… Eu acho que hoje já é algo que está começando a mudar. Tá mudando aos poucos. Até o grafite entra nas escolas e dá pra falar sobre o grafite, algo que não tinha um tempo atrás.
Tanto pela mais geração, tanto pelo tema não ser abordado como uma forma de arte. Aí hoje já é tratado como uma forma de arte. Tanto que tá entrando nas escolas, através de vários outros projetos. E também pela luta da galera do grafite.
Da gente como grafiteiro, os outros amigos, que fazem isso acontecer também com projetos sociais, com projetos educacionais, passando essa informação e deixando essa informação presente aí no âmbito escolar.
Não só escolar, mas, por exemplo, levar a cultura, popular para dentro do grafite e o grafite trazer a cultura popular para ser discutida também junto com a sociedade e com as escolas, com os alunos.
E eu acho que teve essa transformação durante esse período. De lá de onde eu comecei e da galera que veio antes de mim também já tinha essa vontade de ter o grafite adentrando mais e mais nas escolas.
Não que não tivesse ante, mas era em forma muito reduzida. Estava dando os primeiros passos antes de mim, quando eu comecei também já havia movimento. Os movimentos também de sociais, como o CCN, o Centro de Cultura Negra. A galera que eu já era fã, que eram minhas referências, participavam; foi a escola deles, então teve vários tipos de escola do grafite, da arte e da cultura.
Mas agora já entra em um âmbito maior. O grafite tá entrando em um âmbito maior. Está presente mais escola. Isso ser discutido entre os alunos, os alunos querem fazer e tal, não tá mais aquela coisa muito isolada. Está sendo discutido mais.
Acho que, sobre a arte, ela tá caminhando, aqui em São Luís, para isso, de ser mais discutida, de ser mais apresentada, de ter mais trabalhos, mais gente aparecendo, mais artistas. Vendo que aquilo ali pode ser um trampo, também. Levar [a arte] como um trampo, não só uma arte, um hobby, mas aquilo ali ser uma profissão. É uma profissão também. E ver que ela pode se desenvolver ali, criticamente e politicamente na cidade, podendo falar o que quiser, se expressar como achar melhor. O grafite é um veículo para isso.
Leonardo Alves
Nesse sentido, então, acho que dá pra resumir o movimento como uma popularização? De certa forma, então, outra coisa que tem ficado bastante popular é a origes style, né? A tua linha de roupas. E tem sido muito abraçado, muito comentado, principalmente nas redes sociais.
O pessoal tá o tempo todo vestindo, falando sobre. E aí eu queria, sobre a origes style, eu queria saber se tu tem um interesse mais específico por moda, Ou se tu acha que a loja, a marca, é mais um espaço de tu aplicando tua visão artística, assim como são os murais e as tuas outras intervenções?
Origes
Não, acho que a moda é assim. No hip-hop tu tá vendo ali a moda o tempo todo. Desde tu vê a galera dos clipes, antigamente, tudo ali já influenciava. Era uma galera que se vestia diferente, a gente já se vestia diferente.
O streetwear foi presente ali na minha formação
Sobre moda: Então, eu venho dali, de falar de streetwear, de falar de grafite, de estar ali naquele âmbito e aquilo ali ser a minha referência de moda, entendeu? A minha escola de moda não é formal, não é outra.
É de ver mesmo na rua, estudar os clipes. Gostar de ver aquilo ali, me identificar com aquilo desde novo, e fazer parte. E aí o grafite foi só uma coisa que ligou a outra. Eu já faço isso aqui. E eu também queria. Eu já gostava do vestido.
Às vezes eu queria fazer uma roupa que eu quisesse vestir, entendeu? Tipo, vou comprar uma [roupa] que é muito cara, mas que eu achava legal. A segunda [roupa], eu vou fazer algo que já me vestia do meu jeito. Não gostava, só aplicava.
Aí começou mais nesse sentido de: – Vou colocar em prática aqui o que eu já faço. Tô fazendo grafite, tô dentro do streetwear.
Leonardo Alves
E não tinha nem muita ligação de…
Origes
Saber o que era a moda ou então era o streetwear, não sei o quê. Não, eu já tava ali inserido, já fazendo. Tanto que eu fui fazendo. Tipo, eu vou fazer uma camisa aqui que já vai ser do jeito que eu gosto de vestir.
Aí já fiz as primeiras. Aí surgiram as minhas primeiras camisas, em 2017 e 2018, acho. Foi a primeira que eu fiz com Origes. Mas antes, como a gente já fazia os grafites, tinha a batalha na praça também.
Isso tem muita história. Como a gente já fazia o grafite, um grupo de grafite formado por mim, o Gil e o Hugo também. A gente pensou: -ah, bora botar aqui a farda da nossa galera. Aí já estudávamos como fazer alguma serigrafia.
Leonardo Alves
Ali em 2016 também,
Origes
2015, 2016. Aí já fazia nossas camisas. A gente ganhava massa. Só que a gente apanhava pra acertar. Aí acertava algum, mas aí vendia na batalha. Aí algumas pessoas que compravam também gostavam. A gente fazia, sei lá, 10.
Em 2017, eu disse: – vou fazer isso [as camisas]. Como eu já tava com o trampo mais sólido e uma identidade audiovisual mais definida. Pensei: – vou colocar isso nas roupas.
Fiz uma sequência, acho que foram 10 ou 15 peças. Eu fazia mais com a cabeça push to wear. Peguei as referências que eu já tinha e fiz algo com o Cazumbá, mas que se encaixasse para ficar legal numa camiseta.
Leonardo Alves
E ainda sobre as roupas, uma das linhas que lançou recentemente, não sei se foi o maior sucesso com a linha de roupa, mas as camisas de futebol fizeram um barulho muito grande. A galera curtiu bastante, e aí eu queria saber como é a tua relação com o futebol, se tu costuma acompanhar, se tem algum time que tu torce, como é a tua relação?
Origes
Ah, nada. Assim, eu já joguei quando era guri, jogava em time Em campo, quadra. Mas quando era mais guri, assim, na rua também, sempre gostei de jogar bola. Jogava, jogava, jogava. Aí quando eu já fui crescendo, já entrando ali na adolescência, já era algo que eu já não me ligava muito com o futebol.
De fazer grafite, né?
Ou então tá de BMX, não dava de cross, né? Aí tá… já ia seguir pra esse lado. Dentro dos esportes. Tipo, ah, BMX, vou fazer aqui. Saí pra pintar lá na Bahia. Chegava, fazia. E aí…
Foi isso. Tipo assim, ah, o futebol mesmo é…
Leonardo Alves
É mais pontual, mais para a infância.
Origes
Isso, mais para a infância até o início da adolescência. Depois disso, já foi o hip-hop e é o que segue até hoje. Aí futebol mesmo eu já não… Tipo assim, eu acompanho, eu tô só com o Flamengo.
Leonardo Alves
Ah, então tá maravilhoso.
Origes
Aí… Aí, pois é, mas só que eu não sou uma pessoa já acompanhada. O jogo não, mas acompanho o que tá acontecendo, vejo o que tá rolando, o futebol daqui mesmo também, o moto, o Sampai, o Mac, o Iapo, sou ligado no que tá acontecendo, mas não sou um participante assim ativo do futebol, nem aqui, nem fora, não acompanho tanto, assim, não.
É para a moda mesmo [a linha de camisas da Origes inspirado em uniformes retrôs de times de futebol]. Eu já fiz uma outra camisa de time, já teve uma outra edição.
Já faz tempo, foi bem de 2019 para 2020, por ali, antes da pandemia. Fiz a primeira. Aí fiz a primeira marca, a galera gostou, mas foi um teste. Teve uma aceitação e eu também tava ali começando a marca, né? 2017, 2018.
Tinha uma galera que já consumia, mas não é como hoje. O pessoal já consome muito mais.
Eu acho que eu conhecia todas as pessoas que compravam. Por exemplo, meu amigo aqui, outro ali, um conhecido ali. Pronto. Aí acabou. Eu fazia as coleções também bem limitadas. Sei lá, fazia 20. Aí tudo bem. Aí eu ia fazer grafite de novo. Não me ligava tanto em fazer.
As coleções seguintes, eu fazia, assim, duas a três por ano. Daquele período, duas. Quando já era um ano melhorzinho, eu já fazia três. Aí tinha um ano que eu só fazia uma no começo, outra lá no final. Mas sempre gostava de fazer.
O meu negócio era não perder a…
Leonardo Alves
A produção, né?
Origes
É, é de não querer fazer. Se saiu ou não, eu tô fazendo. Eu preciso fazer mais uma. Vou fazer mais uma porque já tô com outras ideias, quero fazer mais. Aí eu vou fazer. Foi uma sequência assim.
De 2018 até 2024, foi escalando. Uma coisa que eu não comprava tanto, outra já era melhor, outra foi melhorando, outra já não saía tanto. E aí a galera foi conhecendo, conhecendo, conhecendo.
Aí eu acho que uma que foi bem forte antes dessa última, do tarde-time, foi a do São João do ano passado. Que foi uma verde, a azul, a galera gostou.
Leonardo Alves
Eu cheguei a encontrar o FBC usando a azul lá.
Origes
Pois é, até ele. Às vezes, um ia indicando para o outro. Foi espalhando, espalhando e aí a gente também tinha muito contato nos rolês. Antes, até tava mais. Estava muito mais na rua conversando com a galera, então sabia quem tava ali conversando, fazendo as camisas. Foi de boca em boca. Com a internet, eu acho que o que fazia as pessoas gostarem, não só por ser um trabalho que eu fazia, era uma outra estar usando e a pessoa falar, vem daqui, dali. Uns dizem “ó, eu achei muito bonito”, aí outros falam “quero uma dessas também”. Meio que foi um saindo de um para o outro.
Leonardo Alves
E indicando, cada um vai indicando.
Origes
Indicando, indicando. E aí eu sempre tava prezando, é, porque tá de bom aqui, que o pessoal tá comentando o que que não tá legal, o que que a galera tá reclamando.
Leonardo Alves
E tem reclamação? Costuma houver algum tipo de reclamação, cara, do teu trabalho?
Origes
Eu já fiz muito assim de responder, porque há muito tempo eu já não sou muito da comunicação, de mandar mensagem e responder.
Leonardo Alves
É mais sobre o atendimento, não sobre a arte em si, não é isso?
Origes
É, era mais o atendimento. E aí eu pesquisava, hoje em dia a galera tá numa de “o que vocês acham? Precisa melhorar o que aqui: tecido, arte, caimento, atendimento”…
Aí eu ficava falando assim, mais sobre atendimento. Tem mensagem ali que estão desde o ano passado, e eu ainda não tô entendendo.
Leonardo Alves
Imagina.
Origes
E… Não é nem porque vou parar aqui pra esconder, é porque às vezes eu tô fazendo as roupas, né? Tô na coleção de roupas, tô no lance da moda. Mas aí eu também faço o grafite. Aí, do nada surge o grafite aqui pra eu fazer. E aí eu vou fazer.
Aí eu já não consigo dar atenção pra ali [as redes sociais] porque eu tenho que focar na produção daquele trabalho. E aí eu fui acumulando, e esses trabalhos acontecendo. Então, o que tá acontecendo eu vou fazendo. Às vezes responder a mensagem ali no direct é algo que eu não quero só olhar e ignorar.
Leonardo Alves
Beleza. Eu gosto
Origes
De conversar, né? Receber a pessoa bem. Tipo assim, como se eu estivesse conversando com ela pessoalmente. Não sei ser apenas “oi” aqui, ser rápido e não responder mais. Então, às vezes eu não respondo mais por não poder responder como eu queria.
E aí eu acabo não respondendo. E aí o rolê do atendimento era esse: a falta da resposta. Como eu vi aqui e também quando não tinha um site antes, era muita mensagem. Eu tinha que responder um por um, convertei ali um por um.
E isso demandava muito da minha outra produção artística. Que ia fazer a cultura, os outros trabalhos, a arte. E aí eu já tava me ligando e deixando o meu trabalho um pouco… Eu disse “não, preciso focar aqui”.
Com esse feedback da galera sobre o atendimento, de como comprar, porque muitas vezes eu lançava as coleções limitadas, apenas 50 peças. Saía e chegava um monte de gente querendo comprar, e não tinha mais. A galera ficava um pouco chateada, mas também desejava a próxima [coleção].
Pensei em como fazer isso melhorar, porque o caimento eu já vi que a galera gostou de uma [peça] e não gostou de outra [peça], então botei pra ficar mais a cara do que eu gosto e do que a galera vai gostar também.
Leonardo Alves
Entendi.
Origes
Então os novos caimentos…
Leonardo Alves
Sempre o feedback é muito importante, né?
Origes
É, foi uma coisa assim que não reclamam mais, foi só elogio. Então caiu assim demais o lance do caimento. A gente pode continuar e melhorar.
Leonardo Alves
Aí a estampa também… O que mais a galera gostava era da estampa, né?
Origes
Sim.
Às vezes eu levo mais pro lance cultural. e outras já levam para o lance do grafite, para a estética de rua negra. Tem gente que gosta mais desse lance cultural e tem gente que gosta mais do estilo que tiver. E eu não consigo me prender só uma coisa. Eu gosto de “ah, estou na máxima de fazer isso aqui agora, vou fazer, e o povo não sabe”, entendeu?
A produção da moda é como se fosse uma produção de um quadro. Eu penso ali um tempão, produzo, faço uma coisa ali. Penso muito, né?
Tipo assim, a construção artística, o tempo artístico de produzir uma coleção, de produzir cada arte, de pensar como aquilo ali vai ser, é como se fosse um quadro. Então demora um tempão de preocupação, de criação e de planejamento para aquilo ali acontecer da melhor forma.
Tipo, de fazer um lançamento certinho, de como a galera vai receber, de quem vai estar trabalhando junto. E aí já foi entrando pra esse lado. Já tá indo nesse caminho. Como é que eu vou melhorar isso? já vi que na questão do site, todo esse problema que eu tenho de responder, de falar, de não sei o que, eu posso otimizar esse meu tempo que eu passava muito tempo ali respondendo as pessoas [no Instagram e no site da Origes, destinado à venda de produtos].
Um dia, dois dias, três dias. No site, uma pessoa olhou ali, gostou, pediu,
Leonardo Alves
Tudo fica mais facilitado, né?
Origes
Fica mais facilitado. Depois eu vou lá ver o que que saiu legal e mando produzir. Aí eu já terceirizava a produção e aí eu já tinha muito mais tempo livre para criação de obra. Tanto que hoje eu faço um tempo de um mês, três meses para fazer a coleção. Fazer, criar, produzir e lançar. Aí vender e o pós-venda também. E fazer a coleção girar nesse período. Entre 3, 4, 5 meses. Aí já vem outra.
Às vezes são só 3 meses. Aí já é outra coleção. Depende do meu ritmo de trabalho. Da demanda dos outros. Na tatuagem também, comecei em 2016. Eu parei agora no ano passado. No começo do ano passado. Por conta disso.
Eu já não conseguia dar tanta atenção pra tatuagem. Porque era algo que atendeu uma pessoa. E pra fazer a tatuagem, eu só chegava e “ah, bora marcar na tu, vem cá, bora fazer”.
É como se fosse uma arte, entendeu? Tu cria, tu tem um tempo ali de te dedicar para aquilo ali, para produzir algo, preparar para receber a pessoa. Então é uma troca de um dia. Um, dois dias.
Três dias porque é um tempo de criação, produção, de organizar e receber a pessoa. E aí tu faz a tatuagem. A tatuagem no final é só aquele horário, né? Sim, sim. Três horas, quatro horas, mas o pré é o tempo de demanda.
Leonardo Alves
Tá bom. Origes, e a gente já finalizando aqui, a gente sempre finaliza as entrevistas com duas perguntas para todos os entrevistados, que são basicamente uma brincadeira, uma espécie de brincadeira que a gente faz: uma indicação e uma contraindicação entre qualquer coisa no mundo.
Pode ser um lugar pra ir, uma música pra escutar, um prato pra experimentar, alguma coisa no mundo, Eu queria que tu indicasse alguma coisa que tu acha que as pessoas deveriam conhecer, experimentar, enfim.
E contraindicasse alguma coisa que tu acha que não é bacana, galera não devia dar chance, não devia dar morada.
Origes
Acho que contraindicasse nem… Que eu sou muito… Às vezes minha opinião ali pra aquilo é só a minha opinião, pra…
Leonardo Alves
Outra pessoa é outra coisa. Mas alguma coisa que tu não gosta?
Origes
Rapaz, Eu não gosto de macarrão, só.
Leonardo Alves
Sério?
Origes
Juro, juro. Mas tipo assim, de arte, de comida… É, comida é isso, eu não gosto de macarrão. As coisas eu aceito mesmo bem tranquilo. Não tem assim muita contraindicação das coisas.
Tanto da arte… Tem gente que vai gostar, tem gente que não gosta. E pra indicar? Pra indicar, eu indico o Guggs [artista].
Leonardo Alves
É legal.
Origes
É um artista muito próximo de mim, eu me identifico muito com o que ele produz, né? Por ter vivenciado o mesmo cotidiano, ter nascido, crescido junto. e fazer parte do mesmo movimento.
Então a gente como um movimento e protagonistas também desse movimento, é uma indicação que eu acho que vale muito a pena ser apreciada.
Porque ele fala muito que a gente às vezes dá muito valor para o que é de fora e o que é daqui, assim, às vezes a gente não olha com outros olhos. E a produção musical dele é algo que é muito profundo; é o é algo que vai te trazer uma mensagem.
Ele tem muita coisa pra falar. Ele fala sobre muitas coisas, sobre várias realidades. E um ponto de vista que é muito próximo do meu. De estar vendo aquilo ali, ter se relacionado com várias situações que ele conta através das músicas.
Então, é uma indicação que eu deixo.
Leonardo Alves
Legal, perfeito.
[Fim da entrevista]
Produção, roteiro e condução da entrevista: Leonardo Alves.
Revisão: Paulo Vinícius Coelho e Juliano Amorim.
Publicação nas redes sociais: Gabriel Jansen.





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