
Ainda sob a euforia da recém-criada Sociedade do Copo, trocávamos figuras sobre os eventuais projetos que deveríamos pôr à disposição dos futuros leitores. Informei, rapidamente, para o conhecimento de todos à mesa, que faria um perfil do Léo, o mais carismático entre os carismáticos possíveis.
Mas a minha ambição, àquela altura atiçada por quantidades obscenas de álcool, pretendia começar este perfil matando-o. Para chocar. E exumá-lo, depois, sob as minhas palavras, como um Benjamin Button desenganando a cronologia da vida. Desisti.
E o fiz porque estes temas mais soturnos – lúgubres, mesmo – não combinam com a representação de Léo a todos que o conhecem. Quem o viu mais intimamente, notou o bonachão, o imitador, o cativante. De mãos estendidas, com generosidade vigilante e curiosa. As pessoas interessantes são mesmo aquelas que se deixam interessar. Tomam nota de tudo. Ele não foge à regra.
Volúpia – muita volúpia – se você pode vê-lo de perto. Ao longe, não se pode ignorá-lo, também. Tem presença. Sua abundância é como se Deus – eu, aqui, permitindo citá-lo num perfil de um notável ateu – soubesse que nada em seu ser é contenção. É tudo o mais: um riso, a mais; a euforia; a mais; o clima, a mais; mesmo o desprezo, o qual desejo que ninguém venha a merecê-lo um dia, não seria de se imaginar contrariando esta lógica.
Seus superlativos, porém, não retratam exatamente um homem exagerado, no sentido vulgar. É Léo quem equilibra os extravios e as superdimensões de todo o grupo. Se alguém pega pesado na bobagem, ele repreende. Se há um flagrante vacilo, sua palavra é altiva. Suponho – como um mutual aquariano – que seja porque o zodíaco descreve como um dos pilares, em aquário, a inflexão à injustiça.
Creio, de forma volátil, em astrologia, e, bem mais que as sugestões que os astros nos possam dar a respeito das informações prosaicas do Léo – o sério e batizado Leonardo Alves Ferreira – há um senso moral pungente. Lapidado por uma família que, em muito, explica o seu porte no mundo. Os conheci, uma vez: numerosos, extravasados, gentis. Léo, como todos eles. Todos eles, no rastro que Léo deixa sobre a vida.
Termo-nos aproximado aos poucos foi uma dessas surpresas que o mundo nos impõe, docemente. Ignorarei, como nosso primeiro encontro, um jantar, anos atrás, em que fomos apresentados um ao outro. Nada ali esboçava a amizade – e os projetos – que iríamos pôr no centro de nossas vidas, anos depois.
Nosso encontro mais célebre, sim, às vésperas da estreia do Brasil na Copa de 2022 era premonição de alegrias infindas – agora, cada vez mais simultâneas – que estamos a consolidar. É só o começo.
Por: Juliano Amorim





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