
Infinitas opções, pouquíssimas conexões. No cardápio humano que é o Instagram, tudo é possível. Inclusive, mandar aquela mensagem pra gatinha com a qual você nunca falaria pessoalmente, por vergonha ou timidez.
O que os “leões de dm”, como dizem meus amigos, não percebem, é que a concorrência é feroz. Acredite: você não é o único cara que tenta algo com aquela mulher linda com mais de três mil seguidores. Contudo, não se sinta constrangido. Homens de outras gerações adorariam mandar cantadas ruins por meio de uma ferramenta que te expõe menos e evita que você seja sacaneado pelos colegas.
O que parece uma promessa de menor gasto de energia, no entanto, pode ser uma cilada. Claro, tudo depende de como você interpreta o subtexto. Sim, ele mesmo. Com esse nome sem atrativo, o subtexto é quem baliza os seus próximos passos no flerte virtual – e não só.
Respondeu um story e ela foi gentil? É, parece que temos a possibilidade de um diálogo. Ok, assim como a quinta-feira, não é bem o que a gente quer, mas pode estar perto, pelo menos na teoria.
Se a resposta for monossilábica, tire a prova com o subtexto. Palavras a mais, como um “obrigadoo”, ou uso de acentuação, em “obrigadoo!!” podem sugerir que você se desdobre um pouco a mais no assunto. Tudo bem, nem toda conversa flui de cara. Vai vendo.
O contrário, por sua vez, é mortífero. Nada pior do que estar empolgado com uma nova mulher linda que apareceu, animar-se, ir com a melhor cantada até a dm e.. o fatal “curtiu sua mensagem”. Depois dessa, talvez não haja volta. A outra opção é mais definitiva: 13 entre cada 10 caras têm vontade de sair do país quando a mensagem enviada padece no limbo da caixa de mensagens com um melancólico visto há 554 minutos. Vá por nós, não tente nada depois disso.
Considerando que coisa nenhuma aconteceu, se ela prosseguir, comemore, mas não tanto. Ainda há o risco de muitas coisas indesejadas acontecerem até o tão esperado date sair do papel. Atente-se à fluidez, aos assuntos. Veja, sempre, se há PERGUNTAS. Perguntas interessantes, suas, e perguntas dela são fundamentais para que a coisa se estenda de uma maneira harmoniosa, com parceria. Se só você pergunta, mau sinal. É você brincando de RH. Quem aguenta?
Claro, existem elementos do flerte moderno que, por mais que nos irritem, não podemos negar serem atualizações de práticas consolidadas do cortejo. Exemplo disso é o famigerado print no grupo de amizades. Propomos o desafio: abra aí em seu Whatsapp aquele grupo, aquele mesmo, de no máximo 5 ou 6 comparsas e procure pelas fotos enviadas. Pagamos a primeira cerveja para quem não encontrar nenhuma imagem de conversinhas no Instagram com um sonoro “kkkkkkkkkkkk olha isso aqui” ou algo do tipo de legenda.
Ora, nada mais comum do que comentar sobre paqueras com os amigos mais próximos. Ainda assim, no flerte moderno, essa dinâmica assume tons curiosos. Até mesmo os constrangimentos são diferentes. Quem nunca presenciou uma talaricagem nas redes? Por aqui, já se viu uma foto enviada na conversa errada até romper amizade. Onde foi parar a sensibilidade da furada de olho às escondidas?
No fim das contas, o que resta é adaptar-se. É meu paradoxo de estimação; danço descompassadamente conforme a música. À medida em que me indigno, mais torno-me um adepto das práticas do flerte moderno. Sem mais pedras na janela seguidas de serenata, o mais alto grau de romantismo se materializa em um direct com o link de uma playlist do Spotify. Cartas de amor? Sequer penso nisso, prefiro mesmo compartilhar nos stories uma canção muito bem direcionada, rezando para que o alvo identifique minhas intenções não verbalizadas.
Corrijo: intenções veladas e verborrágicas. Sim, é algo que a atualidade permite! Uma foto no espelho da academia revela minha preocupação com saúde. Ó, quanta mentira, tirei há um ano e meio! Um amigo do trabalho reage com um emoji de foguinho acompanhado dos dizeres: “entrando no shape, hein! Voa, moleque”. Não era a resposta que pretendia receber. Sigamos em frente, publico um outro registro. Desta vez em meu habitat natural, isto é, o bar. A imagem é sugestiva na dosagem certa, assim creio. Vejo ali um espaço para convites, quem sabe me gere uma conversa sobre hábitos alcoólicos. Nadinha. Publico um vídeo dedilhando uma bossa qualquer. Ah, agora vai! Esse vai fazer sucesso! Nenhum comentário? Sejamos justos, há esse “lindo da tia” aqui. É frustrante, mas amanhã repito o gesto.
Infelizmente, ou não, tudo chega ao seu fim. E para encerrar este singelo comentário sobre o flerte moderno, não poderia deixar de fora o tão temido ghosting. Posso ser honesto? Eu sou 100% a favor do ghosting. Pra quê manter um papo chato? Pra quê alimentar falsas esperanças? O silêncio é sim resposta. E uma resposta extremamente sincera. Claro que estamos falando do ghosting em relações rasas. Um pretendente que você conhece há pouco tempo, uma pessoa que após uma ficada no bar tenta engatar um contato mais duradouro, ou até mesmo alguém que você teve um date. Os conversantes e ficantes. Se você já tem uma certa história (ou começou a construir uma) o ghosting não passa de uma canalhice. Uma covardia.
Sejamos francos, algumas vezes receber um ghosting é um alívio. Posso me livrar da culpa de “terminar” com a outra pessoa e sair como mocinho. Olha só, até para receber o corte seco do ghosting o ser humano consegue ser canalha. Mas isso é um assunto para outro texto, vamos retomar o assunto. Se em alguns casos o ghosting pode ser um alívio silencioso, noutros é quase como uma algazarra infernal. Vocês já decidiram tentar contato com aquela pessoa chata que você respondia apenas por educação e ela achou que seria de bom tom insistir em conversar com a parede e te “perseguir” virtualmente? Pois eu já passei por isso. Muitas vezes… Alguns amigos já comentaram que talvez seja culpa minha por me envolver apenas com pessoas claramente perturbadas da cabeça. Fazer o que, né, meu jeitinho. Curtidas em posts antigos para chamar atenção, mensagens pedindo satisfação, respostas em TODOS os stories. Não ficou claro que não quero conversar com você? Essa insistência só afasta ainda mais qualquer possibilidade de retornar o contato. Ok, estou sendo sincero até demais neste texto. Não me responsabilizo se isso chegar nas pessoas que passei por isso. Talvez um choque de realidade seja até bom para elas.
Por: Sociedade do Copo (Paulo Vinicius Coelho, Juliano Amorim, Leonardo Alves, Gabriel Jansen e Pedro Pimenta)





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