Por Paulo Vinícius Coelho e Juliano Amorim

“Nada como regressarmos ao nosso lugar, ao nosso lar.”
O verso que encerra Saudações (Egberto Gismonti e Paulo César Pinheiro) — canção que abre o espetáculo Minha Casa — ilustra de forma precisa o significado do show que Mônica Salmaso apresenta hoje em São Luís, às 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol).
A Intérprete será acompanhada por Tiago Costa (piano), Neymar Dias (viola caipira e contrabaixo), Lulinha Alencar (acordeon), Teco Cardoso (sax e flautas), Ricardo Mosca (bateria) e Ari Colares (percussão).
Minha Casa é um show de reencontros: de Mônica Salmaso com o seu público, após dez meses na estrada ao lado de Chico Buarque na turnê Que tal um samba?; com canções intimamente ligadas à sua trajetória, como Quebra Mar (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro) e Morro Velho (Milton Nascimento); e com a própria cidade de São Luís.
O vínculo entre Mônica Salmaso e a capital maranhense
Em 2007, quando lançou Noites de Gala, Samba na Rua (composto por músicas de Chico Buarque), São Luís foi homenageada no álbum – o quinto da carreira de Mônica Salmaso e o segundo pelo selo Biscoito Fino – com fotos do Centro Histórico feitas por Teco Cardoso, saxofonista e marido da intérprete.

“A gente fez aquelas fotos em 2005, na primeira vez em que estive em São Luís, com o lindo e extinto Projeto Pixinguinha. Passeamos muito pelo Centro Histórico, que é especialmente bonito, e tiramos muitas fotos. Tinha chovido e os azulejos e paralelepípedos estavam lindos e cheios de reflexos”, recorda Mônica Salmaso.
“Tem essa coisa nos centros históricos de tantas cidades (e é assim também no de São Luís), que juntam tempos de riqueza, tempos de abandono, história, cultura popular de rua, teatros antigos lindos, tudo convivendo. Uma dessas fotos virou a capa do CD Noites de Gala, Samba na Rua”, complementa.
A ligação da intérprete com o Maranhão também se expressa de outras maneiras. Em 2005, Mônica Salmaso foi convidada por Zeca Baleiro para participar do projeto Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé – De Ariana para Dionísio, disco lançado pela Saravá, selo do artista maranhense. O álbum reúne canções criadas para musicar a história de Ariana e Dionísio, do livro “Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão”, de Hilda Hilst.
Minha Casa
O show em São Luís marca a primeira apresentação de Mônica Salmaso desde o lançamento, em 2 de setembro, do registro audiovisual da turnê Minha Casa. O espetáculo foi gravado no Sesc Palladium, em Belo Horizonte (MG), em 4 de outubro de 2024.
O surgimento do espetáculo está diretamente ligado ao projeto Ô de Casas, série de 175 vídeos de duetos feitos à distância e publicados nas redes durante a pandemia de Covid-19, quando os palcos estavam inacessíveis por conta das medidas de isolamento. Foi dessa experiência que a cantora extraiu boa parte do repertório de Minha Casa.
“O projeto Ô de Casas começou como uma brincadeira e tomou uma proporção enorme. Vivendo aquele periodo tão intenso e punk com muita intensidade, era natural — e até necessário — escolher canções que refletiam o que a gente sentia naquele momento (dores, esperanças, revoltas, saudades etc.). Já o Minha Casa nasceu de um convite para um show, antes de virar um disco. Senti necessidade de falar sobre esta ‘volta pra minha casa’, minha carreira solo revendo o público, depois de tantas coisas vividas e, por isso, fatalmente boa parte do repertório do show veio de gravações do Ô de Casas”, esclarece.
O Ô de Casas também deu origem a um movimento coletivo de arte. Inspiradas pelos vídeos da série, quatro bordadeiras do Sul do Brasil lançaram um convite aberto para que pessoas de todo o país criassem bordados a partir das canções. A resposta foi tão expressiva que o projeto, inicialmente pensado para cerca de 70 peças, resultou em 150 bordados enviados à casa de Mônica Salmaso. A cantora define a experiência como “o presente mais maravilhoso que um artista pode receber” e brinca que “nem o Paul McCartney ganhou algo tão maravilhoso assim”.

O momento da carreira
A própria Mônica Salmaso reconhece: o projeto Ô de Casas e a turnê com Chico Buarque ampliaram o seu público. Mas o convívio com o compositor carioca, um dos seus prediletos, representou muito mais do que uma expansão do alcance do seu trabalho.
“A música do Chico na minha vida é anterior a eu ser cantora. Faz parte da minha educação emocional”, afirma. Ainda sobre a turnê, a intérprete acrescenta: “O show Que tal um samba? atravessou um período muito intenso do Brasil. Era a volta dos shows presenciais, o público quase todo assistindo às apresentações usando máscaras. Atravessamos um ano de eleições tensas e perigosas. Eu tive o privilégio de estar em cima do palco vivendo essas celebrações da vida e de uma imensa identidade de afeto e de Brasil ao lado do Chico, que simboliza isso tudo. Eu era, em muitos sentidos, uma extensão do público dele em cima do palco.”
Diante de um cenário de teatros lotados com o Minha Casa, Mônica Salmaso faz questão de preservar o que chama de “qualidade de relação com o público” e diz que sua carreira é feita “tijolinho por tijolinho, com uma construção lenta, mas muito bonita”.
De fato, não é preciso muito para reconhecer em Mônica Salmaso e em sua obra o respeito pelo público, o esmero e, claro, o trabalho e a dedicação. “Eu tenho muitos parceiros importantes, mas gosto de acompanhar ativamente todas as etapas, incluindo produção, viabilização dos projetos, realização e finalização”, destaca.
Após tanta dedicação para cuidar “dessa rede de ações que fazem um show possível”, Mônica define: “subir ao palco e poder cantar é como um prêmio”.

Ficha técnica
Mônica Salmaso – voz e percussão
Tiago Costa – piano
Neymar Dias – viola caipira e contrabaixo
Lulinha Alencar – acordeon
Teco Cardoso – sax e flautas
Ricardo Mosca – bateria
Ari Colares – percussão
Mônica Salmaso e Teco Cardoso – Direção Musical
Desenho e operação de luz: Silvestre Júnior
Engenheiro de som: Carlos Rocha – Som Vivo
Engenheiro de monitor: Daniel Tápia
Roadie: Artur César Colares
Idealização Figurino: Mônica Salmaso
Direção de Produção: Carla Assis
Assistente de produção e conteúdo digital: Aline Santos
Assessoria de imprensa Nacional: Alan Diniz
Produção local: Lanna Luz
Produção Nacional: Ô de Casas Produções
Lei de Incentivo à Cultura
Patrocínio: Icatu Seguros
Realização: Ministério da Cultura / Governo Federal





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