Domingo, 24 de agosto de 2025. Eu e Zeca do Cavaco havíamos passado o dia na casa do amigo Aziz Junior contando causos, bebendo e, principalmente, cantando. Já era noite e nos preparávamos para ir embora – os olhos baixos do anfitrião indicavam o momento da despedida – quando Maricilde Pinto me faz uma chamada de vídeo, verbaliza algumas palavras não audíveis por conta do barulho do ambiente e, em sequência, passa o celular para Cesar Teixeira. Fiquei exultante, como sempre que tenho a oportunidade de falar com esse mestre-amigo. Finalizada a ligação, me viro para Zeca e intimo: vamos? – vamos!
Em pouco mais de meia hora, chegavamos ao Butiquim do Carlos. Há pouco havia terminado a apresentação do Encadeia, grupo que tem sido responsável pelos sambas dominicais naquela que é uma das ruas mais charmosas da maltratada São Luís, a Godofredo Viana. E eram muitas, sempre são muitas, as companhias especiais no recinto comandado por Carlos e Priscila, sua filha. Na mesma mesa: Maricilde, Alexandre, os comandantes do Butiquim, mestre Amaral, um casal de espanhóis (as cervejas consumidas em doses industriais naquele dia não me permitiram compreender a difícil pronúncia de seus nomes), além das estrelas mais cintilantes: Cesar Teixeira e Zeca do Cavaco.
Quem estava no disputado posto de comandante do som do bar era Alexandre, com o seu repertório de sambas. E haja Deus quanta beleza! como diz o verso do canônico enredo da Flor do Samba de 1979, cantado e festejado pelos presentes, Carlos em especial.
É Maricilde a responsável por provocar o que resultaria no marcante show que vemos no vídeo. Ela avisa: só saio daqui quando Zeca e Cesar tocarem. E aí não teve jeito: o violão entrou na jogada.
O que está aqui registrado é histórico, dada a importância desses dois mestres para a música maranhense e brasileira, e é, acima de tudo, de uma beleza extraordinária. Presentes nesse singelo repertório, conforme a sequência do vídeo: Ray Ban, de Cesar Teixeira; Pela Décima Vez e Três Apitos, de Noel Rosa; Lápis de Cor, também de Cesar; Cordas de Aço, de Cartola; Último Desejo, também do Poeta da Vila e, por fim, uma sequência de Nelson Cavaquinho com: Palhaço, Degraus da Vida, Rugas e Folhas Secas.
Que dia inesquecível! Música, cerveja e a amizade de gente que amo e admiro. É a vida, companheiro. E é bonita.










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