
Moitará. A palavra utilizada pelos povos do Território Indígena do Xingu refere-se a rituais de troca de artefatos entre diferentes etnias. O simbolismo da convivência e do compartilhamento de saberes também é marcante na dramaturgia. Quem leu a entrevista de Áurea Maranhão publicada ontem nesta Sociedade do Copo deve ter reparado na quantidade de vezes que a atriz menciona as “trocas” que teve com colegas de profissão ao longo da carreira.
Faz todo sentido, portanto, que o termo Moitará dê nome ao grupo de teatro carioca, fortemente caracterizado pelo intercâmbio com outras trupes, a pesquisa, o estudo e a preparação de atores e atrizes, especialmente no que diz respeito à linguagem da máscara teatral.
Outros compromissos me impediram de registrar aqui, anteriormente, as apresentações que o Moitará realizou no Teatro Napoleão Ewerton – SESC com a peça A Busca. Sorte a minha, ou melhor, sorte a nossa, que a permanência da companhia em São Luís se estende até o dia 20 de maio, com uma programação extensa (agenda completa ao final do texto), no âmbito do projeto “A Busca – Trocas, Acessibilidade e Pesquisa”, fomentado pela Bolsa Funarte de Teatro Myriam Muniz.
Entre as atividades previstas, inclui-se uma série de encontros com quebradeiras de coco-babaçu, com o intuito de “conhecer mais sobre os saberes dessas mulheres e buscar inspiração para concluir a nossa trilogia de espetáculos sobre a ancestralidade feminina”, conforme explica Venício Fonseca, um dos fundadores do grupo. Os outros dois espetáculos da trilogia mencionada pelo artista são Imagens da Quimera (2003) também exibido em São Luís, além de A Busca, recém-apresentado na capital maranhense.
Ainda segundo a proposta do Moitará de compartilhar conhecimento com diferentes iniciativas culturais, a companhia realizará, nos dias 12 e 13 de maio, encontros com os grupos Xama Teatro, Núcleo Atmosfera e Cia Cambalhotas. No dia 14, ocorre a apresentação da palestra-espetáculo “A máscara na energia do ator e atriz”. Toda essa programação acontece na sede do Xama Teatro (Rua das Esmeraldas, 3, Araçagy, São José de Ribamar).
Depois, o compromisso do Moitará na Ilha será com uma oficina voltada à linguagem da máscara teatral, no Teatro Arthur Azevedo, entre os dias 15 e 17 de maio, com inscrições já encerradas. Quanto ao trabalho de formação realizado pela companhia, cabe destacar que, desde 2008, o grupo coordena o ponto de cultura Palavras Visíveis, voltado à capacitação de artistas surdos na linguagem da máscara. Uma das técnicas utilizadas é a do ator-sombra, em que o ator-intérprete de Libras atua contracenando com os colegas, utilizando uma linguagem performática conhecida como Visual Vernacular. O espetáculo A Busca, aliás, incorporou esse elemento à cena.
Antes de aportar em São Luís, o Moitará passou por Natal (Rio Grande do Norte) com uma programação semelhante. Lá, a busca por inspiração para a nova peça sobre ancestralidade feminina teve como fonte mulheres benzedeiras.
Quem, assim como eu, não pôde assistir A Busca e tem interesse na peça, pode conferir alguns trechos no site do grupo, com atuações de Jhonatas Narciso e Erika Retti. Bom espetáculo!






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