
Em abril de 2024, quando ainda trabalhava na Diretoria de Assuntos Culturais (DAC) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), articulei a exibição do documentário Lupicínio Rodrigues: Confissões de um Sofredor em São Luís. O filme dirigido por Alfredo Manevy era um fenômeno. Colecionava seleções em importantes festivais do Brasil e do exterior, recebia críticas maravilhosas na imprensa e causava enorme burburinho nas redes sociais.
Afeiçoado por documentários musicais e incomodado com a ausência do filme nos cinemas ludovicenses, entrei em contato com a equipe detentora dos direitos da obra e consegui a autorização para promover a estreia do longa no Maranhão. O evento foi rapidamente abraçado por jornalistas, músicos e pela equipe da DAC. À medida que a data da exibição se aproximava, eu me apegava ainda mais às músicas de Lupi, o que aumentava a expectativa para a sessão.
Na semana que antecedeu a exibição do filme, ocorreu um encontro com certeza arquitetado pelos deuses. Depois de assistir a um show de Joãozinho Ribeiro no Solar Cultural da Terra (espaço do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra localizado na Rua Rio Branco, Centro), cumprimentei o poeta e o convidei para assistir ao filme. Joãozinho respondeu com enorme entusiasmo, recordando sua amizade com o diretor do filme e antigo companheiro de trabalho no Ministério da Cultura, Alfredo Manevy. Nosso poeta (aliás, aniversariante de ontem) me propôs o seguinte: “Consiga uma pequena estrutura de som, e eu convidarei alguns músicos para um show em homenagem a Lupicínio, após a exibição do filme.” Topei, claro, e corri para conseguir um som, ambientação e algumas bebidas. Os amigos Lucas Mendes e Jeremias Santos foram cruciais para viabilizar a modesta produção.
No dia do evento: casa lotada, degustação de cachaça e a presença marcante de muitos amigos queridos. Foi um sonho! Mas houve uma ausência: Joãozinho Ribeiro. O poeta mobilizou os músicos, mas não pôde comparecer devido a um porre tomado no dia anterior, segundo me explicou Aziz Júnior. A falta foi compensada por um show curto, mas maravilhoso, de Aziz, Carbrasa (percussão), João Eudes (sete cordas), João Neto (flauta) e… Zeca do Cavaco (violão e voz).


Desde esse dia, ao encontrar esporadicamente Zeca do Cavaco no Bar do Léo, conversamos basicamente sobre Lupicínio e os intérpretes que gravaram as letras do gaúcho. Mais recentemente, ouvimos juntos o álbum de Ayrton Montarroyos cantando Lupi. Um primor!
Pois muito bem, um ano depois daquela sessão marcante, me pego novamente empolgado com uma homenagem ao homem que cunhou a expressão “dor de cotovelo” e compôs o hino do Grêmio. Desta vez, Zeca do Cavaco comanda a celebração em formato de show, a ser realizado hoje, véspera do Dia do Trabalhador, a partir das 21h, no Bar do Léo. Atenção para o elenco, denominado Quarteto Felicidade: João Eudes (sete cordas), João Neto (flauta), Raimundo Luís (cavaco e bandolim) e Carbrasa (percussão), além de Dicy Rocha como convidada especial.

Ontem, encontrei Zeca no balcão do Bar do Léo. O bamba me disse que, claro, o show contará com os clássicos “Nervos de Aço”, “Loucura”, “Vingança”, “Esses Moços” e outras músicas que se tornaram conhecidas do público na voz de intérpretes como Paulinho da Viola, Maria Bethânia, Zé Renato, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nelson Gonçalves e por aí vai. Contudo, a despeito de a obra de Lupi poder ser considerada enxuta em quantidade, há sempre uma joia a ser descoberta ou revisitada. Zeca promete nos presentear com algumas delas.
Vale um último comentário sobre o cenário: o Bar do Léo. Penso que Lupi, boêmio, adoraria conhecer o reduto. Consigo imaginá-lo padecendo naquele balcão…ai, aquele balcão…

Para os recém solteiros, desiludidos, traídos, ciumentos, apaixonados em silêncio, os que dizem não ligar e choram no banho, todos aqueles, enfim, que sofrem por amor: compareçamos com nossas dores de cotovelo e celebremos Lupicínio Rodrigues. Até já!






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