
Com uma sólida trajetória no jornalismo cultural, atestada em iniciativas como a atividade literária e o comentário musical, pode-se afirmar que Luiz Felipe Carneiro é um dos nomes mais consistentes da crítica feita no Brasil, atualmente.
À frente do canal Alta Fidelidade, que completa dez anos de atividade neste mês, o jornalista desenvolveu uma identidade ímpar, ao combinar pesquisa documental, informação e análise contextualizada do mundo artístico.
Carneiro deixou de lado a advocacia para dedicar-se à profisão que, sempre à espreita, há muito lhe aliciara os sentidos: o jornalismo, construindo uma trajetória que vai da redação da Folha de S.Paulo à autoria de obras como Rock in Rio: A História (Editora Globo), Os 50 Maiores Shows da História – em versão nacional e internacional – (Editora Belas Letras). No momento, empenha-se no preparo de mais um livro, a biografia do cantor Cazuza.
Nas próximas linhas, o leitor confere uma revisitação em detalhes sobre a criação do canal Alta Fidelidade, mas não só: entre os assuntos em destaque estão a resistência à dinâmica dos algoritmos na produção jornalística; a análise de documentos importantes para a história da música brasileira e amenidades, como a vindoura Copa do Mundo e o remake da novela Vale Tudo. Confira:
Leonardo Alves
Pra começar, Luiz: como foi a origem do Alta Fidelidade? Lá se vão 10 anos desde o surgimento desse projeto, que se tornou uma marca importante, e nós temos interesse em saber como começou.
Luiz Felipe Carneiro
Faz 10 anos agora, em abril, e o pior é que eu não preparei nada. Então, eu sou advogado, eu me formei no final de 2001, só que nunca gostei [de atuar na área]
Trabalhei 8 anos entre estagiário e advogado. Nunca gostei, foi influência dos meus pais. Resolvi abandonar, e, quando eu abandonei, vieram as cobranças de gente que perguntava o que eu ia fazer. O meu sonho era trabalhar em gravadora. Eu conversava muito com o Marcelo Fróes, que é um dos maiores pesquisadores de gravadora do Brasil. O Fróes, por acaso, também é advogado e tinha sido aluno do meu pai.
Ele me deu uma página inteira, no tablóide que ele editava, o International Magazine [veículo em atividade entre os anos 1990 e os anos 2000], para escrever o que quisesse. Aquilo abriu portas e me fez querer fazer jornalismo, já que estava inserido no meio.
Consegui entrar na PUC-Rio (minha segunda faculdade, depois de Direito) sem vestibular – a experiência na revista foi crucial, já que havia pouquíssimas vagas assim. Sempre fui de exatas – no colégio, amava química, física, matemática. Queria ser professor de química. Mas na faculdade, me apaixonei pela teoria da comunicação.
Durou dois anos. Antes disso, já tinha passado uma temporada em São Paulo trabalhando na Folha. Aí surgiu uma oportunidade financeira boa. Voltei pra advocacia desiludido. Gostava de jornalismo, mas trabalhar em um grande jornal era estressante e mal pago. ‘Se é para ficar estressado, melhor voltar a ser advogado’, pensei.
Sabia que seria temporário – dois anos no máximo. Tranquei a matrícula na PUC pra não perder o que já tinha cursado. Quando retomei, fiquei em dúvida: Tinha saído da Folha, o maior jornal do país, onde admirava colegas e fiz amigos.
Fui tentar uma coisa por conta própria. Financeiramente, eu estava confortável porque eu estava com uma economia da advocacia. Comecei, então, a fazer um blog, o Esquina da Música.
É inspirado no Clube da Esquina, o nome. Eu me lembro que eu terminava meu trabalho no escritório tipo sete e ficava à noite escrevendo sobre música, durante uns seis meses assim. Quando eu saí do escritório, esse blog já era uma realidade.
Era uma coisa que, na época, eu tinha cinco mil visitas por dia. Comecei a escrever de brincadeira. Quando eu finalmente fui me formar em jornalismo, o meu TCC foi sobre a cobertura da imprensa no Rock in Rio de 1985 e 2001.
Tirando [a segunda edição] de 1991, eu queria comparar como é que a imprensa trabalhou em 1985 e 2001. Porque em 1985 você não tinha celular; em 2001 ainda estava meio que engatinhando tudo, mas você já tinha uma coisa mais.
Você já tinha site na internet. Em 1985, havia só jornais e revistas. Fiz esse trabalho e foi aquilo: eu estava mantendo o meu blog, mas não estava trabalhando em um jornal. Eu transformei o TCC em um livro, mesmo, contando a história do Rock in Rio.” Por conta própria, eu comecei a fazer e, para a minha sorte, o Rock in Rio voltou ao Brasil, e o livro [Rock in Rio – A história – Bastidores, segredos, shows e loucuras que marcaram o maior festival do mundo] foi lançado. Foi tudo assim muito de repente.
Quando eu vi, eu já tinha entrevistado o Roberto Medina [fundador e responsável pelo Rock in Rio]. O livro estava pronto, na sala dele, e ele chamou a editora Globo. Em um mês, a gente já estava começando a trabalhar na publicação.
Anos depois, o meu amigo Francisco Rezende, que é o diretor até hoje do canal [Alta Fidelidade], meu melhor amigo, meu compadre, tinha um canal de humor na internet. Ele, um dia, me chamou para eu participar de um outro canal em que ele indicava filmes. Eu gravei um, dois vídeos, mas ele logo desistiu desse canal.
Eu estava pensando em criar outro blog, mas o Francisco falou que as pessoas não estavam mais lendo. Meu negócio é escrever. Um dia, a gente estava bebendo e começamos a desenhar o canal. Eram sete vídeos por semana, de domingo a domingo. Na época nem tinha o Biofá [Fabio Viana]. O Biofá entrou uns cinco meses depois.
Francisco trazia a câmera dele. Eu só comprei um negócio de luz. Então ele filmava. A gente filmava sexta. Às vezes eu gravava 30, 35 vídeos em um dia. Por isso que eu não gosto dos meus vídeos iniciais.
Eu costumo brincar que o Alta Fidelidade nasceu através de um porre. Porque eu sou uma pessoa que quando eu falo que eu vou fazer, eu faço. Quando eu falo o que eu vou, eu não desmarco. Então a gente fez.
Me lembro, não tinha nem livro na estante. Ele ligava a câmera e falava assim “não, você tem que olhar para a câmera, você tem que olhar para a câmera. Ele falava: olha para o cu da câmera!” Então fui gravando.
O canal ia se chamar Outras Frequências, nome de uma das músicas do acústico MTV dos Engenheiros do Hawaii. Só que a gente descobriu que já tinham utilizado esse nome no YouTube.
Então, aí eu olhei para o lado e vi Alta Fidelidade [romance de Nick Hornby]. Está aqui o livro até hoje. Aí eu falei: Alta Fidelidade. E virou o nome do canal. Eu me lembro que o canal entrou no ar numa segunda, 20 de abril. O Francisco me mandou mensagens, falando que o canal estava no ar. Só que, acho que por medo, naquele dia eu acordei 3 horas da tarde.
E o segundo vídeo de terça-feira era sobre um disco histórico. E eu escolhi o disco A Tempestade da Legião Urbana, que é o disco brasileiro que eu mais gosto. Eu escolhi esse disco, eu fiz um vídeo, que eu nem sei se ainda está no ar, porque alguns eu tiro do ar
E eu me lembro que eu fiz uma propaganda no Facebook, colocando 5 reais pra dar uma impulsionada na publicação. Quando eu abri, à noite, o meu segundo vídeo tinha 7 mil visualizações. Quando que eu ia sonhar que no meu segundo vídeo ia ter 7 mil visualizações?
E a partir daí eu comecei a formar esse público.
Leonardo Alves
A gente sabe que teve esse crescimento, aquele boom dos anos 2010 no YouTube, mas muitos criadores, muitos youtubers sempre ficaram um pouco reféns, digamos, de alguns formatos, algumas dinâmicas.
E alguns até optando por um caminho mais de conteúdos apelativos, clickbaits. O seu canal, por sua vez, sempre teve esse ritmo muito próprio, com os formatos muito bem definidos. Como que foi para você, ao longo dessa trajetória do Alta Fidelidade, administrar isso, no sentido de não perder aquilo que você queria fazer, mas também não se prejudicar, não prejudicar o seu trabalho por causa das dinâmicas e da plataforma?
Luiz Felipe Carneiro
O YouTube nunca fez nada por mim – a não ser fornecer a plataforma. Nunca tive um vídeo que bombou organicamente, nunca paguei para impulsionar nada. Isso é cilada: no dia em que você para de pagar, seu canal estanca. Testei isso no Facebook – colocava uns 5 reais de vez em quando. Quando parei, há nove anos, minha página não ganhou mais um único seguidor. É assim que o algoritmo funciona.
Na verdade, nem atualizo mais a página do Alta Fidelidade no Facebook. Uso só o Instagram, onde também nunca investi em impulsionamento. Minha grande inspiração para o canal veio de um programa da época em que a ESPN Brasil era a ESPN Brasil de verdade: o Pontapé Inicial, apresentado pelo José Trajano e pelo meu amigo Dudu Monsanto, de manhã.
Aquilo era incrível — duas horas falando de tudo que eu amava: futebol, música, literatura, cinema, efemérides… Sempre fui obcecado por datas, desde criança. Lembro até hoje de ficar calculando ‘hoje faz dez anos que tal coisa aconteceu’. O programa capturava exatamente essa essência.
Quando me perguntam como prefiro ser definido – se como youtuber, jornalista, crítico musical ou até advogado – digo que qualquer título serve. Até aceito ‘youtuber’, embora ache reducionista. Na verdade, me vejo mais como um cronista musical. Meus vídeos misturam história dos discos e bandas com memórias pessoais – como quando lembro de comprar o álbum da Blitz com minha mãe no shopping, ou do show no Canecão que meu pai não me deixou ir. Não é só crítica ou jornalismo: é contar histórias que criam identificação.
O legal é quando alguém comenta: ‘Poxa, também ganhei esse disco da Blitz quando criança!’. Esses vínculos que surgem através da música são muito mais valiosos do que ficar naquele debate raso sobre ‘ah, Blitz é bom ou ruim?’. Pra mim, música é sobre compartilhar experiências.
Leonardo Alves
Eu queria saber, dentre as personagens que passaram pelo Alta Fidelidade, qual foi a conversa, o papo, que mais te surpreendeu por ser diferente daquela impressão que você tinha inicialmente de como seria a coisa?
Luiz Felipe Carneiro
A Fernanda Abreu é como uma madrinha do canal. Desde pequeno era fã – acompanhava desde a época da Blitz, ia nos shows dela, lembro perfeitamente do Veneno da Lata no Canecão… Quando fui entrevistá-la no lançamento do Amor Geral, resolvi fazer algo diferente: ouvi toda a discografia dela em ordem, lendo as letras, preparando a pauta.
Eu tinha aquela imagem adolescente dela – Rio Quarenta Graus, música pra dançar (o que já é ótimo). Mas ao conversar sobre cada disco, descobri uma artista completa. Ela me explicou o conceito por trás de cada trabalho… Cara, foi revelador!
Até hoje escuto seus discos com outro olhar. O Slá Radical Dance Disco Club [primeiro trabalho musical da artista] – que fez aniversário agora – é um dos melhores álbuns pop do mundo, sem exagero. A Fernanda foi pioneira nos samples, usando recursos que quase ninguém usava no Brasil (e no mundo) naquela época. Ela me surpreendeu completamente como artista.
Por isso que minha abordagem para entrevistar artistas como Marcos Valle, Fagner, Ivan Lins ou Dado Villa-Lobos sempre parte de um princípio: se vou ocupar duas horas da vida deles, preciso honrar esse tempo.
Depois de entrevistar o Ivan Lins, inclusive, comecei a estudar música. Percebi que precisava entender melhor a linguagem musical para dialogar com artistas desse calibre. Esse tipo de entrevista é valioso justamente por registrar o processo criativo – você acompanha a evolução da carreira, vê as decisões artísticas, os acertos e até os caminhos que nem sempre deram certo. O importante é capturar o pensamento por trás da obra, e isso fica registrado para sempre no YouTube.
Leonardo Alves
Agora entrando em uma segunda parte da entrevista, queremos falar um pouco sobre sua trajetória na literatura. Mas antes, quero pegar um gancho na sua última fala sobre entrevistas. Você passa muito tempo com personalidades e artistas para organizar suas pautas, e imagino que, ao escrever seus livros, também tenha conversado com muita gente.
Dessas conversas e entrevistas que se tornaram conteúdo para seus livros, teve algum depoimento que te marcou de forma especial? Algo que mudou sua visão sobre um tema, que você levou como aprendizado ou que fez diferença na sua vida? Qual foi a história que mais ficou gravada na sua memória ao longo desse processo de escuta?
Luiz Felipe Carneiro
É difícil resumir… Foram tantos livros, centenas de entrevistas. Se vou responder, prefiro compartilhar o que realmente aprendi: muitas vezes, a pessoa que você menos espera se torna a entrevista mais valiosa do livro.
Quando se escreve sobre um artista como Gilberto Gil (só pra exemplificar), é natural querer focar nele. Mas às vezes o baterista da banda tem memórias mais precisas, menos filtradas – conta o que realmente viu, sem pudores. Essa foi minha grande lição.
Estou vivendo isso agora na biografia do Cazuza. Essa fase de entrevistas é como montar um quebra-cabeça… ou marcar consultas médicas, sabe? Você agenda uma aqui, outra ali, e cada conversa revela uma peça diferente da história.
Hoje tenho absoluta certeza: no livro do Cazuza, preciso dar espaço e valor a essas pessoas ‘por trás do palco’. Muitas vezes, o técnico de luz da turnê tem informações preciosas que ninguém mais conta – seja por esquecimento ou por cautela. Enquanto isso, uma grande personalidade, mesmo sendo amiga próxima do Cazuza, pode acabar repetindo aquelas histórias que já contou mil vezes em outras entrevistas.
Esse livro aqui, Os 50 Maiores Shows da História da Música Brasileira, me deu a chance de conversar com lendas como Paulinho da Viola, Ney Matogrosso e Moraes Moreira. E foi aí que entendi uma coisa: você pode ouvir um disco ao vivo mil vezes, mas só quando senta com o artista que criou aquilo que as peças se encaixam. Acontece aquele estalo – ‘Poxa, escutei isso a vida toda e nunca tinha captado essa essência!’.
Juliano Amorim
Na hora de conceber um livro, como é a sua preparação? Você comenta com alguém, adota o método Gilberto Braga de foco absoluto?
Luiz Felipe Carneiro
O foco absoluto só no livro? Infelizmente, a menos que você seja o Paulo Coelho, viver de literatura no Brasil é complicado. Por isso mantenho meu canal, faço freelas [atividades como freelancer]… e amo tudo isso. Se precisar passar um sábado inteiro escrevendo, eu passo – mas tenho evitado, pois estava trabalhando demais, sem descanso.
Conheço gente há 10 anos no mesmo livro, sem fazer mais nada. Chega uma hora que você pensa: ‘Será que vai sair?’ Até cria um certo ranço. Quando você tem múltiplos projetos, paradoxalmente, tudo se ajuda. No meu caso: preciso gravar pro canal, marcar entrevistas… Esses prazos externos acabam acelerando o processo criativo.
Escrevi três livros simultaneamente – um deles em parceria com o Tito Guedes sobre o Caetano [Lado Cê, lançado em 2022, por ocasião das comemorações de 80 anos do Caetano Veloso]. Foram 8, 9 meses trabalhando 16 horas por dia, domingo a domingo. O Francisco até me avisou: ‘Tira uma semana de férias ou você vai pirar’. Mostrei minha agenda e era impossível – cada dia tinha tarefas cronometradas para os três projetos. A gente vai se virando…
Sempre evitei contratos prévios com editoras. Prefiro escrever primeiro e depois apresentar. Mas confesso: prazos externos ajudam. O livro do Rock in Rio precisava estar pronto para o festival; o do Caetano, para seus 80 anos. É uma questão de organização – e de sorte por trabalhar com temas que amo, embora…
Tem gente que romantiza: ‘Ah, que sonho trabalhar com música!’. Cara, é como um advogado com as leis ou um médico com pacientes. Tenho cronogramas, metas, obrigações. Não fico o dia todo ouvindo música por prazer – depois de tanta análise profissional, chega o sábado à noite e a última coisa que quero é colocar um disco.
Juliano Amorim
A minha outra questão, relacionada ainda ao seu envolvimento com a literatura, tem a ver com as reconstituições históricas e os acessos a documentos, a materiais que fazem parte disso. Eu me lembro de você falando, no Alta Fidelidade, sobre ter encontrado o contrato, eu acho que era o contrato do Canecão [tradicional casa de shows brasileira] com a Elis. Eu queria saber de você outros documentos, que não sejam de conhecimento amplo, que você tenha tido acesso e que mexeram com você, ou que fizeram você repensar assim, “poxa a história da música poderia ter sido diferente se essa ideia, se esse contrato, se esse lugar se essa ideia tivesse vingado”.
Luiz Felipe Carneiro
Nesse trabalho, a gente acaba tendo acesso a coisas incríveis – mas o curioso é que o que seria um sonho anos atrás, hoje muitas vezes não me emociona tanto. São tantos documentos que analisamos…
Recentemente, estava vendo a letra original de ‘Poema’ do Cazuza, escrita à mão dele, que o Ney gravou. A mãe do Cazuza [Lucinha Araújo] me mostrou uma pasta com uns 50 desenhos que ele fez aos 5, 6 anos, todos assinados ‘Agenor’. É impressionante como as pessoas às vezes falam ‘pode ficar, ia jogar isso no lixo’ – e pra mim é um tesouro.
O livro do Caetano [Lado Cê] me trouxe uma amizade inesperada: a Giovana Chanley, que foi sua assistente pessoal durante toda a fase ‘Cê’ e da Gal até seu falecimento. Achava que ela não iria querer falar – muitas pessoas não gostam de reviver o passado profissional. Mas nos conectamos.
Numa visita ao Rio para um show da Gal na Mangueira com Chico Buarque, ela me avisou: ‘Tô com uma mala de documentos’. Fomos nos encontrar num hotel. Depois de horas de entrevista, saí com aquela mala – ela até brincou: ‘Tem tanta tralha aqui que tô com vergonha’. Quando abri em casa… Cara: letras manuscritas do Caetano, versões alternativas de músicas, repertórios de shows escritos à mão…
É assim o tempo todo nesse trabalho – você nunca sabe quando vai encontrar ouro no que os outros consideram lixo.
É como sempre digo: às vezes a pessoa ou documento que você menos espera vira a peça mais importante da pesquisa. Te dou um exemplo marcante do Rock in Rio: em 1991, artistas estrangeiros precisavam enviar setlists para o Ecad. Foi assim que descobri o setlist do show que Robert Plant não fez – cancelado por causa da Guerra do Golfo. E ali estava a revelação: Jimmy Page tocaria com ele. A última música? ‘Stairway to Heaven’, que não executavam há anos.
Só de imaginar: Plant e Page no Maracanã, encerrando com ‘Stairway’… Teria sido tão épico quanto o Freddie Mercury cantando ‘Love of My Life’ em 1985. Esses ‘e se?’ são os detalhes que fazem a história da música tão fascinante.
Juliano Amorim
Falando sobre shows agora, qual show você acha que melhor captura o Brasil de determinado momento e por quê?
Luiz Felipe Carneiro
Se eu tivesse que escolher shows que definiram décadas, começaria com os Novos Baianos nos anos 70. Era aquele contraste perfeito: quatro artistas coloridos, cheios de vida, criando música alegre enquanto vivíamos sob uma ditadura. Eles representavam a resistência através da arte.
Dos anos 80, destacaria dois momentos marcantes. Primeiro, a Blitz no Canecão em 1984 – quando o rock brasileiro finalmente invadiu o templo da MPB. Eles quebraram todos os recordes de público e fizeram algo inédito: matinês para adolescentes, adaptando o repertório sem as piadas de duplo sentido. Isso simbolizou a virada de chave – agora eram os jovens comprando LPs, não só seus pais. A Blitz abriu caminho para toda uma geração pós-ditadura que queria sua própria voz.
Era mais que música: era uma mudança cultural. O Canecão, que antes só abria suas portas para os grandes nomes da MPB, agora recebia o novo rock nacional – e lotava. Isso diz tudo sobre os anos 80 no Brasil.
Outro show dos anos 80 muito representativo é O Tempo Não Para, do Cazuza. O Cazuza, pela música dele, conseguiu encapsular os anos 80, no Brasil. Eu estudo muito sobre os anos 80. E tem umas coisas muito loucas: o assassinato do Chico Mendes, uma nova Constituição, a greve da Siderúrgica em Volta Redonda, as Diretas Já, a eleição do Tancredo Neves…muita coisa acontecendo. E eu acho que o Cazuza conseguiu encapsular isso na música dele. Ideologia, Blues da Piedade, são músicas que retratam os anos 80.
E O Tempo Não Para representa tudo isso, inclusive a questão da Aids, que foi uma coisa muito presente nos anos 80.
Juliano Amorim
Eu queria saber qual foi aquele escritor que mexeu contigo, te trouxe novas perspectivas em relação ao hábito de ler e de pensar em ser um escritor. Ou se isso foi uma construção ao longo dos anos, um acúmulo de leituras que fizeram você se sentir pronto para finalmente se entender como um escritor. Como foi isso?
Luiz Felipe Carneiro
Meu foco sempre foi não-ficção – um dia ainda pretendo lançar ficção, mas por enquanto é isso. Tive sorte com duas inspirações fundamentais:
Primeiro, o ‘Brock’ do Arthur Dapieve. Eu tinha 14, 15 anos, era fascinado pelo rock brasileiro dos 80, e na época não existia nada sobre o tema. Quando li, pensei: ‘Um dia vou escrever um livro sobre música’. Anos depois, tive o privilégio de ter o Arthur como professor e amigo.
Depois veio ‘Estrela Solitária’, a biografia do Garrincha pelo Ruy Castro – em 95 ou 96. Foi meu primeiro calhamaço de 600 páginas, o único livro que me fez chorar. Na hora pensei: ‘Quero fazer isso por alguém que admiro’. E a vida me deu outro presente: anos depois, fiz cursos com o Ruy, ele me acolheu e construímos uma amizade.
O livro do Rock in Rio começou numa oficina com o Ruy Castro. Ele propôs: ‘Vocês me entregam os textos, nós lemos em sala e eu dou meu feedback’. Os primeiros capítulos do livro nasceram ali, nesse processo.
Na não-ficção, tenho dois mestres: o Arthur Dapieve e o Ruy. O Arthur me mostrou como escrever sobre música – ele, que é um apaixonado por ópera, me ensinou a apreciar esse universo. Já o Ruy me ensinou a arte da reconstituição histórica. Meu livro sobre o Rock in Rio é, no fundo, isso: não exatamente uma biografia, mas uma reconstituição do festival, assim como ‘Chega de Saudade’ fez com a Bossa Nova.
Juliano Amorim
Algo que você já declarou no canal e até mencionou há pouco: que a música talvez já não seja mais o “sol” da sua vida, e que a literatura, hoje, ocupa esse espaço. Então, quero saber: qual escritor ou escritora está fazendo a sua cabeça no momento?
Luiz Felipe Carneiro
Eu leio muito. Tenho muito mais prazer em ler do que em ouvir música. Adoro ir para a livraria—vou umas três vezes por semana e dificilmente saio sem um livro. Acho que compro uns três livros por semana.
Tem livros que compro já sabendo que só vou ler daqui a alguns anos, e outros que, quando percebo, já estavam lidos e eu nem lembrava. Às vezes, quando estou mais tranquilo, chego a ler cinco livros em uma semana.
Cara, em não ficção, já falei do Ruy Castro, que eu gosto muito. Também sou fã do Truman Capote, um autor que li bastante na faculdade. A Sangue Frio acho espetacular.
Adoro Arthur Miller e as peças dele. Dorothy Parker, Scott Fitzgerald, sensacional. O Salinger é um cara que eu não leio há algum tempo, mas já li bastante.
Paul Auster, aquele livro 4321, acho espetacular. Nelson Rodrigues… o bom do Nelson Rodrigues é que a obra dele é tão grande que a gente sempre descobre um livro que não leu.
Então, eu gosto muito desses autores, mas também gosto de ler escritores que eu não conheço, especialmente quando lançam biografias que me interessam.
A Patti Smith, por exemplo, é uma que eu prefiro mil vezes ler do que escutar. O Chico Buarque também, ultimamente eu prefiro ler do que escutar [os trabalhos musicais]. Leio tudo dele, releio, adoro os livros dele.
Sou muito fã do Ricardo Alexandre, acho ele um cara genial, uma influência muito grande… Enfim, por aí, acho que já citei bastante gente.
Leonardo Alves
Me interessa saber: se você tivesse que eleger um inimigo número um do jornalismo cultural hoje, qual seria? Seria esse apagamento da crítica, a falta de critério na avaliação das obras, essa ausência de uma análise mais profunda?
Ou você enxerga outra nuance, outro fator que também atua como vilão do jornalismo cultural nos dias de hoje?
Luiz Felipe Carneiro
O que mudou no jornalismo cultural é o seguinte: Antigamente, quando um disco novo era lançado, você abria o jornal com aquela expectativa: ‘O que o crítico vai dizer dessa vez?’. Tinha opinião, tinha polêmica, tinha debate. Hoje? Virou um mar de elogios vazios. Como se certos artistas fossem intocáveis, e qualquer análise mais profunda fosse quase um crime.
O pior é que virou um jogo de dois lados. De um lado, jornalistas que só fazem perguntas decoradas, com medo de sair do script. Do outro, artistas que muitas vezes nem querem mais dar entrevistas – ou quando dão, ficam na superficialidade. Ninguém quer se arriscar, ninguém quer gerar atrito.
No meio disso tudo, quem perde é a música. Porque quando não existe crítica de verdade, quando não existe discussão honesta sobre a obra, a cena cultural vai ficando cada vez mais pobre. E aí a gente fica nesse looping: todo mundo dizendo que tudo é maravilhoso, quando na verdade a gente sabe que não é bem assim.
Fica tudo muito no controle da assessoria de imprensa. No início do meu canal, isso era bem comum. Diziam: “Ah, antes de você botar no ar, queremos ver”. E eu respondia: “Não. Por que tem que ver?”. Se o artista aceitou dar uma entrevista, por que a assessoria precisa aprovar o que vai ao ar? Se for assim, eu não quero.
Eu me lembro que, quando comecei o canal, procurava as assessorias de imprensa e dizia: “Quero entrevistar o fulano”. A primeira pergunta era sempre: “Ah, mas é pra onde?”. Quando eu respondia que era para o meu canal no YouTube, vinham com aquele tom de desconfiança: “Canal no YouTube? O que é isso?”. Isso há 10 anos, né? Aí, depois que você explicava, a pessoa nunca mais retornava.
E aí entra uma parte meio triste: muitos artistas preferem dar entrevista para aquele canal que só faz cortes rápidos e que, por ter mais inscritos, parece mais vantajoso para eles. É aquele pensamento: “Ah, esse canal tem cinco vezes mais inscritos que o Alta Fidelidade, então vamos lá”.
Mas, pra mim, tanto faz. Eu não quero e nem preciso me adaptar a essa lógica. Eu nem sei quantos inscritos tenho, não fico acompanhando quantas visualizações o vídeo do dia teve. Eu só estou fazendo o meu trabalho
Juliano Amorim
Qual artista você ainda sonha em trazer para o Alta Fidelidade?
Luiz Felipe Carneiro
Em termos de artista nacional, tem uma entrevista que eu adoraria fazer, mas sei que é impossível: eu queria muito bater um papo com o Chico Buarque sobre os livros dele. Não quero falar nada sobre música, não vou perguntar sobre Construção [um dos discos mais emblemáticos do artista]. Só sobre os livros.
Foi como fiz alguns meses atrás com o Tony Bellotto. Eu disse: “Tony, quero te propor uma entrevista que você nunca fez.” E eu nem conhecia ele direito. Ele perguntou: “O que é?” E eu falei: “Quero falar sobre todos os seus livros, debater cada um deles.” A reação dele foi: “Porra, sensacional, vamos fazer!”
Acho que, se eu tivesse dito “Vamos falar sobre a discografia dos Titãs”, ele teria respondido: “Porra, de novo?” Mas, quando falei dos livros, ele se animou imediatamente.
Juliano Amorim
Um personagem da história brasileira que você acha que ainda está em falta nas biografias?
Luiz Felipe Carneiro
Porra, cara, aqui no Brasil, muita gente… Até porque tem muito artista com biografias muito ruins, né?
Na verdade, quando falo de biografias, me refiro àquelas no sentido mais tradicional – pesquisa profunda, trabalho jornalístico. E nesse aspecto, temos grandes lacunas. Veja o Cazuza: o que existem são os livros da mãe dele, não uma biografia independente. Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil – nenhum tem uma biografia realmente definitiva. A da Gal Costa parece que está em produção agora.
Algumas boas biografias que existem: a da Elis Regina (do Júlio Maria, recentemente relançada), a excelente da Carmen Miranda, a do Ney Matogrosso (também do Júlio Maria), a do Simonal pelo Ricardo Alexandre, e uma surpresa boa – a do Roupa Nova, da Vanessa Oliveira.
Mas ainda falta tanto… Rita Lee, por exemplo. O que temos são os livros dela, que pelo que dizem, têm boa dose de invenção.
Juliano Amorim
Aproveitando a efeméride dos 10 anos da Alta Fidelidade, eu queria saber de você o show mais importante dos últimos 10 anos, pra você.
Luiz Felipe Carneiro
Dos últimos dez anos? Se tenho que escolher só um, é fácil: o show dos Titãs no Encontro. Absolutamente maravilhoso.
Te conto uma história: estava conversando com o Diogo Damacena, empresário do Nando Reis, e comentei: ‘Cara, em BH eu vi Paul McCartney num dia e Titãs no outro’. Aliás, mentira – foi o contrário, Paul primeiro e Titãs depois.
Aí soltei a bomba: ‘O dos Titãs foi muito melhor que o do McCartney’. E digo mais: foi um daqueles raros shows onde você sente que está vivenciando algo histórico, sabe? Cada música, cada energia… Não teve como não comparar.
Juliano Amorim
Eu vi os dois na mesma época e acho também.
Juliano Amorim
Qual show brasileiro acha que foi injustamente esquecido ou subestimado pela crítica e que merece ser revisitado?
Luiz Felipe Carneiro
O Sorriso do Gato de Alice é um caso emblemático. Na hora de escolher qual show da Gal incluir no livro, eu e o Tito passamos horas debaixo de muita cerveja defendendo nossos preferidos. Eu brigava por esse – foi o primeiro show dela que vi, enquanto o Tito nem havia nascido, mas também é fã pra valer.
No final, pra equilibrar o livro, acabamos optando pelo Fatal. Mas fica o registro: O Sorriso do Gato de Alice é um dos mais subestimados da carreira dela.
Outro que merece mais reconhecimento? O Noites do Norte do Caetano. Pra mim, é disparado o melhor disco ao vivo dele – aquela energia, a reinterpretação das músicas… Enquanto todo mundo fala de Fina Estampa e Prenda Minha, o Noites do Norte fica ali, meio esquecido, como se fosse um tesouro só pra iniciados.
Tem mais alguns shows que merecem ser lembrados. O do Lobão no Rock in Rio 1991, por exemplo – um ano depois de arrasar no Hollywood Rock (aquele que está no livro e foi considerado pela crítica o melhor do festival). Só que no Rock in Rio… bem, o público não foi tão gentil. Ficou meio perdido nessa contradição.
Outro que adoro é o Bebado Samba do Paulinho da Viola – também coloquei no livro. E aí vem aquela nostalgia: 10, 15 anos atrás, você chegava na bilheteria, comprava ingresso em dinheiro por um preço justo e ainda conseguia um lugar bom.
Acho que muitos desses shows mais antigos acabam um pouco esquecidos. Quando falam do show do Milton Nascimento, por exemplo, muita gente menciona a última turnê dele, que, sinceramente, foi a pior da carreira, pelo estado de saúde dele. Mas dificilmente alguém lembra de Tambores de Minas, que, para mim, é o maior show da história da música brasileira.
Então, não sei se a palavra é subestimado, talvez nem seja isso. Acho que é esquecido mesmo.
Juliano Amorim
Qual é o maior clichê pra você quando o assunto é música brasileira? Aquele bem batido, que se pudesse, você desconstruía na hora.
Luiz Felipe Carneiro
Você pega as listas de melhores discos e tá sempre lá: Clube da Esquina, Transa… Esses clichês de repetir as mesmas coisas.
Certa vez, em entrevista minha para uma matéria, o jornalista queria defender que o Transa era o melhor disco do Caetano. Ele perguntou: “O Transa é o melhor disco do Caetano?” Eu falei: “Cara, pra mim, talvez seja o vigésimo quinto melhor disco do Caetano.”
Antes do Transa eu acho o Zii e Zie, eu acho o Circuladô, Uns…cara, eu cito 20 discos na frente do Transa, eu não acho nada demais no Transa, sinceramente.
Chico Buarque. “Ah, o Construção”. Eu prefiro escutar o Paratodos. É isso que na música brasileira me cansa um pouco…essa repetição.
Tem gente aí que diz que o Clube da Esquina é o melhor disco do mundo que eu desconfio que nunca tenha escutado Clube da Esquina, sabe? Mas… Gosta de repetir. Eu prefiro Clube da Esquina 2, é mais diversificado. O maior clichê da música brasileira é exatamente a repetição dos clichês.
Juliano Amorim
Você acha que é possível fazer uma nova Vale Tudo? Eu gosto muito da novela, eu acho que não. Queria ver você falando disso.
Luiz Felipe Carneiro
Isso tem a ver com o que eu já falei sobre a música do Cazuza – ela é a cápsula dos anos 80. E eu acho que ‘Vale Tudo’ é a cápsula dos anos 80 quando a gente fala de televisão. É tudo ali: os costumes, a corrupção…
Eu gosto muito de novela. Poderia ter um canal só sobre novelas – as antigas, porque as novas não me interessam. Outro dia estavam reprisando ‘Tieta’, ‘Roque Santeiro’, ‘A Viagem’… são novelas que poderiam ter remake a qualquer momento, porque é tudo muito determinado. Mas aí você pega ‘Vale Tudo’ – ‘Vale Tudo’ tem cheiro dos anos 80.
Era uma novela com a linguagem dos anos 80, com o politicamente incorreto dos anos 80. Eu já vi ‘Vale Tudo’ quatro vezes. Tem frases que a Odete Roitman fala que, se fossem ditas hoje, acho que mandariam fechar a Globo.
Então, cara, eu acho que a novela tá aí, saiu em DVD, tem no Globoplay… não vejo nenhum sentido [em mexer]. Assim como também não vejo sentido fazer remake de ‘Tieta’, mas acho que seria, de repente, mais plausível.
Leonardo Alves
Eu queria saber pra você qual é a Copa do Mundo que equivale no futebol ao Rock in Rio de 85.
Luiz Felipe Carneiro
Eu acompanho a Copa do Mundo desde 86. No lado pessoal, pra mim, o Rock in Rio de 85 é a Copa de 86, porque foi quando eu descobri tudo, mas eu sei que a tua pergunta não é nesse sentido.
Eu acho que ficaria com a Copa de 82 pra ser o Rock in Rio de 85, porque o time do Brasil é muito bom, tem todo aquele drama de ser eliminado pela Itália…e como tá tudo nos anos 80, fico com ela.
Leonardo Alves
E pra próxima Copa, Luiz? 26, perdão. Tua previsão pra Copa do ano que vem.
Luiz Felipe Carneiro
Depois de acompanhar a Eurocopa, fiquei de olho na Espanha e na Inglaterra, que são times jovens e bem resolvidos. E também a França… Vi um comentário esses dias que resumia bem: ‘Sempre que a França joga, pra mim ela é favorita’. Concordo plenamente. Se tivesse que apostar hoje em quem vai ganhar a Copa do ano que vem, colocaria meu dinheiro na França sem dúvida.
Vou falar uma coisa que pode parecer absurda: a gente não pode esquecer do Brasil. Apesar de eu não dar a mínima pra Seleção – gosto da Copa, não necessariamente do time. Mas olha os jogadores que temos, cara: sou fã número 1 do Rafinha (adoro o Barcelona, acompanho os jogos, tomara que ele vire o melhor do mundo), o Vini Jr que acabou de ser eleito o melhor… Dois goleiros do City e do Liverpool, tem o Rodrigo…
O problema é que parece não ter um técnico pra montar um time com todo esse talento. Mas considerando que a Copa será nos EUA – e o Brasil ganhou a última que disputou lá – eu não descartaria a seleção tão fácil.
Leonardo Alves
E o jejum é o mesmo que chegou aos Estados Unidos, né? 24 anos sem título. É de se pensar, né?
Luiz Felipe Carneiro
Se o Neymar não for pra Copa, sem brincadeira, eu acho que a gente tem mais chance.
Leonardo Alves
Luiz, as duas perguntas que a gente usa para fechar as entrevistas são uma indicação e uma contraindicação. E aí pode ser um disco, pode ser um livro, um filme, um lugar pra ir. Qualquer coisa no mundo a gente quer saber uma coisa que você indique e outra que você contraindique.
Luiz Felipe Carneiro
Eu indico que a gente dê mais valor a música. A gente vive uma era onde parece que o que menos interessa é a música nesses eventos. Que as pessoas prestem mais atenção na música, que vá ao show pra ouvir música, pra ver o show.
O que eu contraindico: gente fascista.
[Fim da entrevista].





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