
Hermínio Bello de Carvalho, o aniversariante do dia, é um camisa 10 da música brasileira: refinado, virtuoso, generoso em campo, sempre jogando pelo coletivo. Poeta, escritor e compositor, fez da sua arte um ofício de construção e partilha, ajudando a revelar e impulsionar talentos que redefiniram os rumos da nossa canção. Sua trajetória se entrelaça com a de Chico Buarque, Elizeth Cardoso, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, Pixinguinha, Sueli Costa, Elton Medeiros, Maurício Tapajós e outros tantos craques.
Nos anos 70, deixou sua marca em iniciativas fundamentais para a difusão da música brasileira. Foi peça-chave na criação dos projetos Seis e Meia e Pixinguinha, concebidos para formar novas plateias e democratizar o acesso à música por meio de estratégias como o subsídio no ingresso para espectadores de baixa renda.
Seu mais recente projeto, o antológico álbum “Cataventos’’, foi lançado há menos de dois anos e contém dez músicas inéditas, três regravações e dois poemas recitados por Fernanda Montenegro (Labirinto e Enunciação). No disco, o escritor carioca foi cantado por Alaíde Costa, Paulinho da Viola, Joyce Moreno, Áurea Martins e Maria Bethânia.
Hermínio Bello de Carvalho completa hoje 90 anos de uma vida inteira dedicada à cultura brasileira. O mestre é, antes de tudo, um devoto das nossas artes. Sereno, muitas vezes nos bastidores, foi responsável por encontros que marcaram época e por passes precisos para que outras estrelas brilhassem e cantassem suas palavras. Sua trajetória, tecida com fios de poesia, música e amizade, revela um homem que transcende o papel de artista, assumindo o de um verdadeiro elo entre gerações. Viva o camisa 10 da música brasileira!





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