Meu feliz Natal


O movimento das cerdas da vassoura no terraço, o carregar das cadeiras e a procura pelos isopores na despensa anuncia: é Natal! Este ano, calhou de ser aqui em casa mesmo e em breve seremos dezenas comemorando a data, partilhando a ceia e trocando presentes.


O movimento das cerdas da vassoura no terraço, o carregar das cadeiras e a procura pelos isopores na despensa anuncia: é Natal! Este ano, calhou de ser aqui em casa mesmo e em breve seremos dezenas comemorando a data, partilhando a ceia e trocando presentes.

Cresci em família de tradição católica muito forte então daqui a pouco também irei à missa. Não é segredo que não sou dos mais religiosos, mas tenho, sim, minha fé. Penso, na verdade, que minha conexão com o espiritual acaba sendo uma certa confusão que faz sentido na minha cabeça, embora eu não tenha muita facilidade em explicá-la. Mas de uma coisa estou certo: tenho muito pelo que agradecer, sobretudo este ano.

Admito que o último texto de Juliano foi forte inspiração para minha escrita de hoje, assim como os relatos mais voltados para o cotidiano particular – o que pretendo passar a fazer com mais frequência – típicos de meus amigos, a exemplo do Site de cerveja de Paulo (um dos meus textos favoritos do blog).

Penso um pouco melhor e percebo que mais do que isso a saudade deles e de Gabriel me deixou nostálgico, o que me fez pensar no que foi o ano para mim e como este Natal talvez faça ainda mais sentido do que todos sempre fizeram. Se o catolicismo prega a celebração do nascimento de Jesus como tempo de renovação da fé, do cultivo ao amor, ao respeito e às boas ações, me permito acreditar que ao longo de 2024 passei por vários renascimentos.

Embora eu tema ser alguém muito autocentrado – e admito que tenha esse defeito por vezes -, contraditoriamente, tenho muita dificuldade em falar de mim. Ou melhor, não se trata exatamente de dificuldade. Mas ocorre que, sempre que busco falar de mim, acabo falando dos outros. Das pessoas que conheci, que convivi, que conversei. E este ano vivi muito isso: ganhei amigos, me despedi de outros, conheci de novo velhas caras e não reconheci rostos que antes fizeram tanto sentido.

Foram idas e vindas incontáveis. Seja no amor, no trabalho, na família ou nas amizades, a única constante foi a certeza inabalável de que o tempo passa e estou crescendo. Por isso, sou grato de viver este complexo existir ao lado de pessoas que reafirmam minha convicção no amor. Isso se mostrou para mim em coisas talvez pequenas, mas que para mim significaram muito.

Hoje, escuto muito mais canções e dos mais diversos gêneros. Não só isso, tenho pesquisado sobre as histórias das composições, dos artistas, das bandas; cretamente foi o ano em que mais assisti filmes, bem como busquei escrever pelo menos uma linha sobre cada um deles; estudei, ainda que muito menos do que gostaria, sobre a história das grandes figuras das culturas maranhense e brasileira. Ora, nada disso seria possível se eu não quisesse ter algo a mais a dizer para Juliano quando ele fala do amor por algum disco, ou talvez se não quisesse comentar com Gabriel do que achei de um filme consagrado que ainda não tinha visto, tampouco se não quisesse discutir com Paulo sobre a cultura popular brasileira, cujo apreço por ela me instiga a aprender mais.

Sou um felizardo e, por isso, esses momentos de ânimo pelo viver não se limitaram às histórias com os companheiros da Sociedade do Copo. Eles estiveram em cada pessoa com quem conversei por alguns minutos nos corredores da UFMA, saí num encontro, dividi cerveja na mesa de um bar, dancei numa festa ou almocei junto num domingo de sol.

Alegro-me por entender, hoje, que aprendizado ou descoberta algumas me farão perder a essência. Sim, ouvi e gostei de muitos discos pela primeira vez, mas minha banda favorita ainda é One Direction. Sim, vi muitos filmes, mas ainda quero reassistir e exaltar todo ano Homem-Aranha do Sam Raimi, como faço desde mais novo. Sim, imergi verdadeiramente no nosso São João pela primeira vez, mas ainda sou o cara que não curte cuxá e nem pode comer vatapá.

Não há problema. Quanto mais caminho para novos horizontes, mais me aproximo do que me torna quem sou. Do que sempre me tornou. A reafirmação dos afetos que recebo me basta para saber do que não abro mão a troco de nada.

Importante deixar meus agradecimentos aos leitores, que também fizeram parte de tudo isso. Obrigado! Agora, com licença. Devo me preparar para receber a minha família, a parte de pai. Amanhã, almoçarei com vovó, mãe de mamãe, e todos da casa dela. Kitana, que estampa esse texto – por que não? Ficou tão bonita toda natalina -, foi um presente de vovó, inclusive. Completará seu primeiro aninho em poucas semanas. No mês seguinte, é minha vez, farei 23. É, meu feliz Natal também passa por entender isso.

Tenho todo o tempo do mundo.

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