Spotify Wrapped e a saga do algorítmo


O fim de ano é tempo mágico de solidariedade, nostalgia e reflexão, embalado sempre por aquele que é um dos momentos mais aguardados de cada translação completa da Terra. Não, não estamos falando do seu décimo terceiro, até porque a pejotização engoliu sua vida há muito tempo. Trata-se dele: o Spotify Wrapped! A retrospectiva anual…


O fim de ano é tempo mágico de solidariedade, nostalgia e reflexão, embalado sempre por aquele que é um dos momentos mais aguardados de cada translação completa da Terra. Não, não estamos falando do seu décimo terceiro, até porque a pejotização engoliu sua vida há muito tempo. Trata-se dele: o Spotify Wrapped!

A retrospectiva anual da plataforma de áudio sempre dá o que falar. Se em terra de rapper de ônibus quem tem fone de ouvido é rei, o querido wrapped é verdadeiro divisor de águas entre os que fingem gostar de música e aqueles que escutam de verdade. Claro, os minutos ouvidos não devem ser parâmetro de nada sério ou realmente importante, mas você obviamente repara naquele cidadão que ouviu no ano todo menos do que você em um dia ou naquele outro que parece ter multiplicado um tanto os dias do ano.

Tem também o fenômeno dos envergonhados por aquela fase mais melancólica que acabaram exagerando na sofrência ou mesmo quiseram agradar muito uma paixonete e, num vacilo irreparável, desfiguraram completamente o top 5 de músicas com um Matuê entre Chicos e Caetanos ou um Maroon 5 dividindo espaço com Beatles e Oasis. Sempre vem a justificativa do “dividi a conta com fulano”, mas o Spotify é implacável: a bronca é toda sua!

Se aprofundarmos um pouco a discussão, poderemos até afirmar que a retrospectiva do Spotify tem moldado o gosto musical de algumas pessoas. Há quem chegue ao ponto de evitar ouvir o artista que gosta pra não correr o risco de cair na malha fina do Wrapped. E que tal aquele seu amigo que, de repente, virou fã de um gênero musical completamente diferente do que costumava ouvir? Afinal, quem não quer ter um Wrapped digno de postar nas redes sociais? A pressão social, aliada à busca pela validação, transforma o Wrapped em um verdadeiro campo de batalha pela identidade musical.

Outro aspecto interessante é a nostalgia, sentimento normalmente despertado pelas retrospectivas das mais diversas ordens. Quando plataformas como o Spotify nos convidam a reviver o passado, atestamos que a música de fato é imprescindível nas nossas vidas e atua como companheira permanente em momentos de alegria ou tristeza. Quem nunca se pegou relembrando aquela playlist feita especialmente para os momentos de decepção amorosa?

No fim das contas, o que vale mesmo é essa boa desculpa para responder o story de alguém que você tem interesse mas passa o ano inteiro postando só planta ou foto de um bichinho muito feio que você finge ser lindídissimo e quase uma cachorra Laika de tão importante.

Por: Leonardo Alves e Paulo Vinícius Coelho

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