
Fato é que debatíamos, eu e um destes escribas do blog, sobre os contrassensos da vida de solteiro. Ganhar e perder, a todo instante, deixando-se levar por impressões, em sua maioria, vãs, graças aos códigos do flerte que cada rede social costuma ter.
No instagram, mais precisamente, é fácil identificar: curtidas e comentários compulsivos em stories; close friends como recurso para intimidade presumida e, sim, o ato – possivelmente ultrapassado, embora ainda eficaz – de curtir postagens antigas, para fins de demonstração inconteste de interesse.
Todos estes recursos, descritos por nós, do blog, com maior ênfase, no texto O Problema do Flerte Moderno, representam, de forma sintética, as aflições do solteiro, não raro cercadas de ansiedade e tédio.
Flertar apenas por esporte é das maiores demonstrações do fenômeno. Um date suspeito, quem nunca? Se por acaso com sinais de embriaguez, também é comum que mensagens comprometedoras sejam deixadas na dm de quase-paixões.
Mas, neste caso, eu me refiro a um estágio avançado da solteirice, quase crônica, de pequenos teatros, perguntas semirretóricas e histórias de impacto presumível, contadas pela enésima vez. É quando Me Ajude a Salvar os Domingos faz mais sentido que a expectativa pelo próximo fim de semana.
As fases da solteirice são de fácil distinção: a euforia, entre altos e baixos, do recém-solteiro é a mais ilustre. Primeiro, o impacto da perda – a depender das circunstâncias –, para, enfim, estar em todas. Desde a Lagoa, entre figuras ora em crise de identidade explícita; ora em estado permanente de ensino médio existencial, passando bela Godofredo Viana, até o minimalismo de um barzinho – seja lá o que quer dizer um barzinho. No fim das contas, o mais importante é ser visto.
Se tamanha empolgação pode, por um lado, resultar em perrengues, histórias mirabolantes e um ou outro romance fora da curva, certo é que a euforia recém-solteira vai dando lugar ao estresse, que, tão logo, passa a ser indiferença.
Quando o date se torna protocolar e todos os gestos se demoram para que a calidez de um beijo novo venha redimir a – já tão íntima – estranheza de uma noite sem graça.
Mas nada é tão novo assim depois dos 25 anos.
POR: Juliano Amorim





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