
Tom Zé – 1970 chegou ao Spotify! O disco que nos revelou clássicos como “Jeitinho Dela’’ e “Qualquer Bobagem’’ (diga-se de passagem, trilha do filme Rasga Coração, de Jorge Furtado), foi o responsável, também, por romper uma espécie de desconfiança que eu possuía em relação a obra do baiano de Irará. Até então, eu o admirava mais como personagem do que como músico.
Se não me engano, foi no comecinho da pandemia e por recomendação do Youtube a minha descoberta do álbum que reúne todas as potencialidades de Tom Zé, nas facetas de compositor, intérprete e invencionista.
Quem tiver a curiosidade de ouvir, vai encontrar o nonsense característico do artista e também letras muito bem elaboradas. Às vezes, as duas coisas numa música só. A miscelânea se revela também na fusão de ritmos e gêneros musicais. Tom Zé brinca com o samba, o choro, a valsa, o rock e muito mais. É uma algazarra muito bem aprontada.
Faço questão de registrar um causo envolvendo o Bar do Léo, já que, se o texto fala de música, eu tenho a obrigação de citar o recinto, como Juliano costuma nomear.
Numa dessas infinitas noites em que estive sentado no balcão, perguntei se Leonildo conhecia o disco. Ele não se recordava, mas identificou de imediato quando lhe mostrei a capa pelo celular. E aí começou uma saga em procura do CD. Poucas vezes vi Leo tão inquieto – e ele normalmente fica agitado mesmo na procura de um álbum. O tempo passou, o bar fechou e o Tom Zé – 1970 não foi encontrado.
No dia seguinte, por volta das 16 horas, recebo a ligação de um número desconhecido. Era uma das garçonetes me dizendo “seu Léo precisa muito falar contigo’’. Fiquei preocupado, óbvio. Ao pegar o telefone, ele anunciou, enfático: “Paulo, encontrei o CD!’’. Eu fiquei mais empolgado ainda e combinei de ir ao bar no mesmo dia para escutarmos o álbum. Cheguei, Léo de prontidão arrumou o som e nós ouvimos em absoluto silêncio as duas primeiras músicas. No início da terceira, ele me olha, balança levemente a cabeça e me diz “eu não gosto desse CD, não…’’.
Por: Paulo Vinícius Coelho





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