
Existe em cada homem a busca incessante pela paixão. Ela move, inspira, dá sentido a cada passo. Paixão é tão construtora quanto destrutiva. Na mesma facilidade com que traz doçura ao viver, amarga a alma e corrói impiedosamente. Tamanha complexidade pode, por vezes, fugir à compreensão. Não àtoa, muitos insistem em separar a paixão da razão, sob o temor de andar caminhos tortos, como se de fato fosse possível traçar uma bifurcação entre ambas. Mesmo assim, reforço a opinião do começo: todo homem busca a paixão. Para alguns felizardos, no entanto, basta encarar um espelho para atingir essa meta.
É o caso de Gabriel Jansen. Em meio a uma seca de ideias sem precedentes na Sociedade do Copo, tomei a iniciativa de escrever sobre ele que para mim sempre foi exemplo primeiro de pessoa inspirada. Ora, se nem Gabriel está inspirado, quem mais poderá estar? Diante de tamanha bizarrice, quem sabe o resgate da escrita não esteja a uma saudação de distância.
Comecei a tomar conhecimento da genialidade de Gabriel já em nossa chegada ao curso de Comunicação Social da UFMA. Ele em Rádio e TV e eu em Jornalismo, não necessariamente nossos caminhos se cruzariam com tanta frequência. Apesar disso, bastou a primeira oportunidade de ouvir o que ele tinha a dizer para pensar “tem algo de diferente nesse cara”. Já começando a construir sua fama de palestrinha (a qual não endosso, mas também não nego), ele não perdeu nenhuma chance de deixar claro seu apreço pelo audiovisual. Mais do que isso, impressionava seu repertório: falava com a mesma empolgação da criação de suspense no cinema de Alfred Hitchcock e do quanto fazia falta Pedro Bial na apresentação do Big Brother Brasil.
Algumas muitas frustrações e desvios ocasionadas pelo período pandêmico depois, nos reencontramos na universidade em união improvável de chapa candidata ao diretório acadêmico do curso. O movimento se originou muito por conta das decepções compartilhadas que tínhamos com a faculdade. Daí, pude conhecer outra face de Gabriel: sua fúria, indignação, sede por fazer valer sua convicção. Muitos o teriam como arrogante ou egoísta, mas sempre vi nestes traços a força e a bravura de um ser humano visceralmente incapaz de trair a si próprio.
Esta lealdade acaba por reverberar nas relações de Gabriel. Talvez por isso mesmo você dificilmente vá encontrar alguém indiferente a ele. Para o bem ou para o mal, todos tem algo a dizer sobre Gabriel. Característica comum aos artistas, não assusta que essa presença seja vista também nas várias facetas de sua arte. Digo sempre que posso: é o cara mais multitalentoso que conheço. Seja na música, escrita, fotografia ou no mero expressar de uma ideia, a sua existência não passa despercebida.
Fazem falta pessoas assim, que tenham algo a dizer, algo em que acreditar, algo pelo qual lutar. Mais do que isso, a amizade de Gabriel é pulso e impulso para jornadas que colocarão à prova suas virtudes e vão te obrigar a estar em movimento. Vencidas duas ou três camadas de uma suposta frieza, rispidez ou introspecção e tendo a sorte de conquistar a simpatia dele, você pode ter a certeza de encontrar uma companhia de singular honestidade, cuidado e amor.
Este é Gabriel, um homem de paixão, de emoções à flor da pele, de passadas errantes, mas nunca interrompidas. Talvez ao ler este perfil ele fique daquele jeito meio sem graça tão típico ou ache que estou exagerando, mas o importante é saber que por trás do sorriso levemente acanhado existe um fiel irmão que encontrei pela vida.
Por: Leonardo Alves





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