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Entrevista com Giovana Kury: “é bom saber que minhas palavras estão chegando em algum lugar”


Giovana Kury é jornalista. Fala no Twitter (X?) para quase 11 mil seguidores e na TV e Rádio Difusora News para outros muitos milhares. Como toda boa repórter, é cética e atenta às contradições. Isso, misturado a sua introspecção e timidez, faz com que a vejam como pessoa séria, sisuda. É o oposto: o riso…


Foto: Alan Rodrigues

Giovana Kury é jornalista. Fala no Twitter (X?) para quase 11 mil seguidores e na TV e Rádio Difusora News para outros muitos milhares. Como toda boa repórter, é cética e atenta às contradições. Isso, misturado a sua introspecção e timidez, faz com que a vejam como pessoa séria, sisuda. É o oposto: o riso aberto vem antes da piada encerrada. 

Eu a conheci pouco antes de tomar a decisão de cursar Jornalismo. Hoje, tenho certeza de que seus textos para O Imparcial e a Agência Tambor foram importantes para que eu seguisse o caminho da Comunicação Social. Por esse motivo, tenho por ela profunda admiração. Por outros, principalmente relacionados ao fato de termos nos aproximado neste ano, guardo por ela imenso carinho.

Para esta Sociedade do Copo – da qual ela é membro-fundadora, dado que esteve presente em todos os momentos cruciais para o nascedouro do blog – conversamos sobre trivialidades, boêmia, política, jornalismo, veganismo e outros aspectos relevantes para a vida da repórter. A ordem das perguntas é a desordem. Vale dizer que a conversa ocorreu no Bar do Léo, ao som de Lupicínio Rodrigues.

Qual é o melhor dia para beber?

Giovana Kury: Antes eu pensava que fosse quarta-feira, mas hoje eu acho que é terça. Não só porque hoje é terça e não só porque terça é o primeiro dia da semana em que o Bar do Léo abre.

Você se considera boêmia?

GK: Não…quer dizer, eu tento não ser, mas eu acabo sendo, porque, talvez, eu goste um pouco mais de álcool do que a maioria das pessoas (risos).

Eu penso que boêmia tem muito a ver, também, com a rua, as pessoas, os lugares…

GK: É…e com álcool (risos). Quando eu não saio, eu bebo em casa. Antes eu bebia mais em casa, inclusive.

Prefere beber em casa?

GK: São duas coisas diferentes, porque em casa eu tenho mais contato com coisas das quais eu gosto e que talvez só eu goste.

Você tem essa característica, né? Tua personalidade é muito atrelada as coisas que gosta. Mais do que ocorre com a maioria das pessoas.

GK: Acho que sim. Os meus gostos fazem 90% da minha personalidade. 

Você é vegana por saúde ou por influência do Paul McCartney?

GK: Eu descobri que o Paul é vegano depois de virar vegana. Eu sou vegana porque eu amo bicho e não consigo admitir a ideia de maltratar qualquer um deles. Para mim, comida é uma forma de cultura. Culinária é uma parte muito grande de qualquer cultura. e eu amo cozinhar, amo fazer comida. Mas, eu acho que o mais importante é a minha responsabilidade sobre a impossibilidade de fazer qualquer bicho sofrer. Eu não consigo admitir a ideia de que, para apreciar qualquer comida, eu precise que outro ser sinta dor. E o Paul Mccartney só reforça essa ideia.

Outro dia eu compartilhei contigo uma frase em que o Chico Buarque diz “hoje em dia só se ouve música estrangeira no Brasil’’. Essa é uma questão relevante?

GK: Depende…não querendo rebater, mas, o Roberto Carlos, por exemplo, adaptou músicas para outros idiomas.

O Djalma também, né?! (Djalma Chaves, cantor, pai da repórter)

GK: É, mas a maior referência do meu pai continua sendo o Djavan. Ele sabe tudo sobre o Djavan e escreve tudo baseado no Djavan. 

Você tem quase 11 mil seguidores no Twitter. Não tem medo de ser prejudicada profissionalmente por conta de alguma postagem?

GK: Eu penso muito mesmo antes de publicar qualquer coisa. Às vezes eu penso algo e repentinamente abandono dizendo “isso não pode ir pro perfil’’. Tem muito esse filtro. Tudo que parece muito espontâneo foi pensado por muito tempo antes, inclusive, pensando em tudo o que as pessoas podem dizer sobre aquilo, todas as interpretações possíveis…

Você acha que as pessoas te seguem mais por conta do trabalho ou por outro motivo?

GK: Não entendo também. (risos). Eu falo tanta bobagem.

Você já passou pelo impresso, pelo portal, a tv e a rádio. Algum desses meios comunica melhor do que o outro?

GK: O escrito, no digital. Talvez porque a televisão seja muito desgastante…mas eu realmente me identifico mais com a escrita para o virtual. 

Você se considera famosa?

GK: Famosa?

As pessoas te abordam na rua, não?

GK: Ah, mas “eu te conheço do Twitter’’ não é ser famosa. E na rádio, pouca gente me vê. Ou melhor, me associa a imagem.

Você acha que ser reconhecida pode atrapalhar teu trabalho de alguma forma?

GK: Na verdade, me incentiva. Me motiva saber que as pessoas estão me lendo, me vendo, me ouvindo. Eu já senti em algumas ocasiões a sensação de que meu trabalho não estava sendo visto. É bom saber que as minhas palavras estão chegando em algum lugar.

Uma coisa que você ainda quer fazer no jornalismo

GK: Eu quero muito fazer jornalismo de impacto, principalmente sobre o que acontece com o meio ambiente do Maranhão. Acho que as vozes daqui não são ouvidas o suficiente. 

Uma coisa que você não faria no jornalismo

GK: Assessoria.

No Maranhão, quase 70% do eleitorado vota no PT. Ainda assim, nós somos um estado muito atrasado. Por quê?

GK: Acho que o problema é mais local. O PT, inclusive, tem responsabilidade nisso, porque esteve ao lado dos Sarneys em praticamente todos os governos. 

Mas, é uma coisa mais profunda e mais complicada do que acontece em outros estados do país, que talvez sejam mais progressistas só porque votam na esquerda. Nós estamos no estado mais pobre do país, então há muitas outras questões, inclusive ligadas ao meio ambiente, ao agronegócio…

O que é pior no Maranhão: o executivo ou o legislativo?

GK: Acho que hoje o legislativo é só um braço do executivo. Não há oposição. Aliás, talvez vá existir em breve.

O que fazer no café da manhã quando acorda de ressaca?

GK: Eu normalmente não tomo café da manhã, parto direto pro almoço. Minha opção de comida geralmente é macarrão, só que é um prato que combina mais com a noite, né?

Uma coisa que você contraindica

GK: Vinho suave.

Indica

GK: Vinho seco (risos)

Giovana e Sociedade do Copo

Por: Paulo Vinícius Coelho

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