Como fugir do serviço militar obrigatório


João Victor era um adolescente comum. Futebol com os amigos, namoro no portão, vídeo-game, cinema, brigas familiares e….medo do alistamento militar. Cresceu ouvindo sugestões sobre como fugir do Exército. Adriano sugeriu que ganhasse peso, Jonas recomendou que fingisse ser homossexual, Julio orientou que mentisse argumentando que era filho único e responsável pela renda da família.…


Charge de Ziraldo para o Pasquim

João Victor era um adolescente comum. Futebol com os amigos, namoro no portão, vídeo-game, cinema, brigas familiares e….medo do alistamento militar. Cresceu ouvindo sugestões sobre como fugir do Exército. Adriano sugeriu que ganhasse peso, Jonas recomendou que fingisse ser homossexual, Julio orientou que mentisse argumentando que era filho único e responsável pela renda da família. Outros tantos amigos vieram com outras tantas ideias mirabolantes, que, segundo eles, já haviam sido testadas e aprovadas milhares de vezes. Quando finalmente o dia 5 de abril chegou e João completou 18 anos de idade, não teve dúvidas de que seu plano era infalível. Não havia a menor possibilidade de ser recrutado e perder um ano de sua vida capinando o quartel, acordando às 5 horas da manhã todos os dias e, principalmente, ouvindo broncas de milicos que se achavam no direito de berrar por qualquer coisa.

Então, convicto e confiante, João Victor se dirigiu até o quartel, aguardou por duas horas na fila até conseguir falar com o general responsável pelo recrutamento. Sem sequer dar ‘’bom dia’’ ao oficial, foi logo argumentando: ‘’sou gay, aleijado, alcoólatra, comunista, satanista, usuário de drogas e não vejo motivo algum para ser recrutado por essa instituição tão honrosa que é o Exército Brasileiro’’

Aliviado depois de ter listado todas as desgraças possíveis na personalidade de um homem, João respirou fundo, cruzou as pernas e olhou no fundo dos olhos do general, aguardando ser despachado. Depois de cerca de um minuto refletindo sobre tudo o que tinha ouvido, o general não teve dúvidas: já tinha encontrado sujeitos da pior estirpe. Lembrava-se de um tal de Adriano, obeso. Um certo Jonas, gay que ofendia a família tradicional. E até mesmo um camarada chamado Julio que não tinha onde cair morto. Porém, jamais havia lidado com uma alma tão maldita quanto a de João, que reunia todos os defeitos do mundo e só poderia ser salva por uma instituição: o Exército Brasileiro.

Por: Paulo Vinícius Coelho

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