
Eu não estive muito certo, nos últimos dias, se estaria pronto, à minha maneira, para escrever as coisas que tenho pensado. Mas nunca tudo foi tanto; tão agora; tão imenso; tão potente; tão real. E, queiram vocês que me lêem agora, acreditar ou não, o contrário dialoga em par com os sentimentos que descrevi há pouco.
Também me prosto; também costumo não querer abrir os olhos ao amanhecer, nem pensar tanto. Eu não quero dar explicações. Eu não quero sugerir diálogos, porque preciso de silêncio. Muito silêncio.
E esse impasse, a um só tempo é tédio e graça digna de dar hosanas aos céus. É, ainda, a razão mais forte para eu ter recusado a mim mesmo alguns dos textos que venho pensando elaborar
Só que chegou o momento de ir em frente: leio ao Jansen, ao Paulo Vinícius, ao Leonardo e fico inquieto. Pedry me alucina, porque tem sob medida a precisão – eu adoro precisão, sou prolixo. Ouvi também o disco novo da Alaíde Costa e, por isso, quase compus alguma coisa, que, ao final das contas, soou confusa por demais para que eu seguisse em frente. Vim ao texto, faço menos mal ao mundo em prosa que versejando.
Acerca de tudo o mais indefinível, são luzidias algumas das minhas certezas.
Me perdoo – na verdade, já não penso tanto nisso -, ao considerar ter feito mal a algumas pessoas que não mereciam. E elas, de fato, não mereciam. Mais: não eram tantas. E o mal que alego, aos poucos compreendo se tratar de meras inabilidades fora do meu alcance, a altura em que pensar nisso me doeu.
Não dói. Com alguma bossa, aprendo a recuar do medo. Fitá-lo, sim, passando adiante, vigoroso e impoluto. Longe, claro, da cafonice de expressões canalhas, como “imbrochável” ou congêneres – as quais não gostaria de me demorar citando, e nem mesmo que os leitores se recordassem de haver quem as profira sem senso do ridículo.
O fato é: julgo desimportante prosseguir perfumando a flor, dizendo o quanto ando de bem comigo. A frase acima, sobre certezas luzidias, assinala o meu pensamento, agora. Toda a força que isto contém é a expressão de uma vida encontrando, após 25 anos, um lugar confortável para seguir tenaz nos entrechos de tantas – e às vezes inúteis – aflições.
Me ensina e me entusiasma comprender que o mundo não pode ser adivinhado.
Por: Juliano Amorim





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