
(Texto escrito em Janeiro de 2021)
Sob a luz indiscriminada do luar, um rio de dúvidas de repente é desviado em direção a mim. Momentos breves se dão antes de nele mergulhar a contragosto. Águas que trazem angústia, arrependimento e ansiedade me levam para longe. A correnteza é mais forte do que eu jamais pudera imaginar. Quanto mais longe o rio me leva, mais intenso ele se torna. Prestes a me afogar, busco inutilmente por uma saída. Minha vista está escurecendo, fico levemente zonzo. Tento lembrar de como cheguei nessa situação. Por muito tempo sequer soube da existência desse rio. Em minha ignorância eu encontrava plenitude. A serenidade de não entender o que estava ao meu redor me proporcionava sensações gratificantes. Alegria, alto astral, animação. Boa parte disso se perdeu desde que pude ver além da realidade que criei para mim. Claro que não antes de me ver sucumbindo ao que há de pior pra se experenciar pude perceber isto. Pelo visto é necessário viver a desgraça em sua essência para então levantarmos tanto por nós como para aqueles mais próximos. Muitos dizem que devemos caminhar com nossas próprias pernas, mas antes disso creio que devemos cair com nossos próprios corpos, levantar com nossos próprios joelhos, escalar com nossos próprios braços, e aí, sim, caminhemos com nossas próprias pernas, em busca de nos elevarmos com nossas próprias almas. Sob a luz indiscriminada do luar, um rio de dúvidas de repente é desviado em direção a mim. Momentos breves se dão antes de nele mergulhar a contragosto… não. Na verdade não. Depois de ser arrastado por esta correnteza, percebo claramente: desde o começo, eu mesmo fui aquele que desviou o rio em minha direção. Eu mesmo mergulhei com vontade no mesmo. Eu desde o princípio fui aquele que chamava de inimigo.
Por: Leonardo Alves





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