
Rua Godofredo Viana, nº74, Centro Histórico de São Luís. Para que não restem dúvidas, as letras bordadas em cordas rijas sinalizam: butiquim do Carlos.
O local, cujo requinte e a discrição rapidamente se fazem notar, acolhe extratos diversos da vida boêmia, na área central da Ilha. Se entrecruzam, na liderança do proprietário – o Carlos – e família, passadistas, universitários, artistas e a comunidade das imediações, todos indistintos sob a condição que melhor carateriza o conceito do botequim: abrigo popular, acessível e, portanto, democrático a todos os perfis.
No balcão de madeira, entre uma estufa com salgados – vale aqui citar o pão cheio, queridinho entre os aperitivos lá servidos – e a garrafa com café, seu Carlos, o timoneiro, é quem dá a palavra. E, antes que diga qualquer coisa, sorri e estende as mãos. Carismático, orgulha-se da clientela conquistada desde a criação do bar, em 2021. E agradece junto à Priscila, sua filha, as conquistas obtidas.
Entre os seus motivos de orgulho, nestes três anos, estão as gravações da novela da Globo, “Travessia”, da qual participou, rapidamente, em um dos capítulos. Ali, seu empreendimento, iniciado timidamente, ainda com baixa clientela, ganhou visibilidade.
Em 2022, no período eleitoral, os eventos conhecidos como “CarnaLula”, realizados por entusiastas do atual presidente, puseram o bar novamente em realce, destacando, por sua vez, mais uma das particularides que melhor exemplificam a essência de um bom botequim: a criação e o reforço de laços afetivos, resultando em um senso de pertencimento entre cada um dos frequentantes.
Seu Carlos também menciona, alegremente, a citação-homenagem feita pelo compositor Tiago Máci na canção “Ponta da Espera”. A amizade entre ambos rendeu, além da música, uma caricatura, de autoria do compositor, onde Carlos – como de costume – ri seu riso franco, trajando o uniforme de seu clube do coração, o Sampaio Corrêa, que, em 2022, ao festejar o centenário de sua fundação, o exibiu publicamente, em telões espalhados pela cidade, na galeria de torcedores ilustres.
Ao fim da entrevista travestida de bate-papo – o contrário certamente é válido – pergunto ao Seu Carlos como ele observa o botequim, hoje. Rapidamente, ouço a resposta: – só tenho a agradecer a Deus. Finda a conversa, mais uma cerveja na mesa e rimos. O clima bom ficou ainda melhor porque tocou Roberto Carlos. É o seu compositor favorito.
Por: Juliano Amorim








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